STF fixa punições no caso Marielle Franco com penas de até 76 anos

STF fixa punições no caso Marielle Franco com penas de até 76 anos

25 de fevereiro de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Primeira Turma condena irmãos Brazão, Rivaldo Barbosa e outros envolvidos; Alexandre de Moraes destaca corrupção institucional e fixa indenização milionária.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução / Alerj

STF fixa penas de 76 anos para os irmãos Brazão e 12 anos para Rivaldo Barbosa no caso Marielle Franco. Veja detalhes da sentença nesta quarta (25).

A Primeira Turma do STF definiu as sentenças do caso Marielle Franco nesta quarta (25), encerrando um dos capítulos mais marcantes do Judiciário. Os ministros fixaram penas severas para mandantes e executores operacionais do crime de 2018.

O relator Alexandre de Moraes votou pela condenação de Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de reclusão cada. Eles responderão por organização criminosa, homicídios qualificados e pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.

De acordo com o magistrado, os irmãos utilizaram o aparato estatal para expandir milícias e eliminar opositores políticos no Rio. As qualificadoras incluíram motivo torpe e emboscada, além do perigo comum gerado pelos disparos em via pública.

O ex-oficial da PM, Ronald Paulo de Alves, recebeu pena de 56 anos. Moraes ressaltou que o réu desvirtuou o juramento militar para monitorar a vereadora, convertendo o braço armado do Estado em uma ferramenta de suporte ao crime organizado.

Já o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 12 anos em regime fechado. Ele foi punido por obstrução à Justiça e corrupção passiva, ao aceitar propina para desviar o rumo das investigações e assegurar a impunidade.

O assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, recebeu sentença de 9 anos por integrar organização criminosa. Ele atuava como elo operacional entre o núcleo político da família Brazão e os milicianos que executaram o plano.

Além da prisão, o STF estabeleceu uma indenização solidária de R$ 7 milhões para as famílias das vítimas. Os valores serão divididos entre os parentes de Marielle Franco, de Anderson Gomes e a sobrevivente Fernanda Chaves.

O ministro Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o voto do relator. A decisão reforça o combate à infiltração de grupos paramilitares nas instituições públicas e pune a instrumentalização da segurança para fins ilícitos.

A sessão desta quarta (25) simboliza um marco contra a impunidade no Brasil. A dosimetria considerou a gravidade extrema dos atos e o dolo dos agentes públicos que ocupavam cargos de confiança enquanto tramavam os assassinatos.