Vacina do Butantan mantém eficácia de 80,5% contra dengue grave após 5 anos

Vacina do Butantan mantém eficácia de 80,5% contra dengue grave após 5 anos

6 de março de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Estudo publicado na Nature Medicine confirma proteção duradoura e segurança do imunizante de dose única produzido no Brasil.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

Vacina da dengue do Butantan mantém 80,5% de eficácia contra casos graves após 5 anos. Saiba mais sobre o estudo da Nature Medicine e a vacinação no SUS.

A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan alcançou um marco histórico na ciência brasileira. Dados de um acompanhamento de cinco anos, publicados na última quarta-feira (04) no prestigiado periódico Nature Medicine, confirmam que o imunizante mantém uma eficácia de 80,5% contra casos graves da doença e episódios com sinais de alerta, como dores abdominais intensas e sangramentos.

O estudo de fase 3, que contou com mais de 16 mil participantes, revelou um dado ainda mais robusto: entre as oito hospitalizações registradas durante o período de análise, nenhuma ocorreu no grupo que recebeu a vacina. Isso demonstra que o imunizante é altamente eficaz na prevenção de complicações e internações, oferecendo uma camada crucial de proteção ao sistema público de saúde.

Desenvolvida para ser aplicada em dose única, a vacina do Butantan apresentou uma eficácia geral de 65% para qualquer sorotipo, valor que supera os 50% exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo Esper Kallás, diretor do Instituto e autor principal do estudo, manter a análise durante a pandemia da Covid-19 foi um desafio logístico imenso, mas os resultados comprovam a resiliência da proteção ao longo do tempo.

Até o momento, a vacina está aprovada pela Anvisa para pessoas entre 12 e 59 anos. O Instituto já entregou 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para uso no SUS. Um novo passo importante foi iniciado simultaneamente à publicação dos dados: o começo dos testes em voluntários com mais de 60 anos, com o objetivo de estender a indicação da bula para o público idoso até o fim de 2026.

A análise detalhada por sorotipo mostrou proteção de 73% para o tipo 1 e 55,7% para o tipo 2. Embora os tipos 3 e 4 não tenham circulado durante o estudo, testes experimentais indicam uma taxa de soroconversão de 100%, sugerindo que a vacina será igualmente eficaz quando esses vírus estiverem presentes. Além disso, não houve registro de efeitos colaterais graves, reforçando o perfil de segurança do produto nacional.

Em um ano onde o Brasil já registra quase 100 mil casos prováveis de dengue apenas nos dois primeiros meses, a consolidação de uma vacina nacional, segura e de dose única representa uma das maiores esperanças para o controle das arboviroses no país. A tecnologia quimérica utilizada no imunizante provou ser eficiente mesmo em indivíduos que nunca tiveram contato prévio com o vírus.