Comissão de Direito das Mulheres elege Erika Hilton como presidente
11 de março de 2026Em sessão marcada por polarização, deputada do Psol vence disputa com 11 votos favoráveis e 10 em branco
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita, na tarde desta quarta (11), para presidir a Comissão de Direito das Mulheres na Câmara dos Deputados. A votação foi marcada por forte resistência da ala oposicionista, que tentou barrar o nome da parlamentar. O resultado final da eleição de chapa única registrou 11 votos favoráveis e 10 votos em branco, utilizados como forma de protesto.
O processo de escolha na Comissão de Direito das Mulheres ocorreu em dois turnos devido à falta de consenso inicial. No primeiro momento, 12 parlamentares votaram em branco, superando os 10 votos nominais. Já na segunda rodada, a chapa encabeçada por Hilton garantiu a maioria simples necessária. O colegiado também terá Laura Carneiro (PSD-RJ) como 1ª vice-presidente na nova gestão.
A resistência ao nome de Erika Hilton está centrada no fato da deputada ser uma mulher trans. Parlamentares da oposição argumentam que a presidência do órgão deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero, questionando a representatividade de Hilton no cargo. Críticas diretas foram feitas pelas deputadas Clarice Tércio (PP-PE) e Chris Tonietto (PL-RJ), que contestaram publicamente a legitimidade da nova chapa.

Em seu discurso de posse, Erika Hilton enfatizou a necessidade de combater a violência patriarcal e misógina no Brasil. Ela defendeu que o foco do trabalho parlamentar deve ser a solução de problemas reais, como o feminicídio, e não pautas ideológicas. Hilton afirmou que sua gestão será pautada pela pluralidade e que a presença de mulheres trans no debate político representa uma reparação histórica necessária.
Parlamentares aliadas, como Sâmia Bonfim (Psol-SP) e Lenir Assis (PT-PR), saíram em defesa da nova presidente durante a sessão. Lenir Assis chegou a classificar algumas das críticas proferidas no plenário como transfóbicas, sugerindo o encaminhamento dos casos às esferas competentes. O clima de polarização deu o tom da primeira reunião do colegiado, evidenciando os desafios que a presidência enfrentará ao longo do ano.
Após a eleição, a chapa foi completada com a Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) na 2ª vice-presidência e Socorro Neri (PP-AC) na 3ª vice-presidência. Erika Hilton passou a presidir os trabalhos imediatamente, abrindo espaço para falas de outras integrantes. A comissão agora deve focar na análise de projetos voltados à proteção e ampliação dos direitos das mulheres brasileiras em diversas áreas sociais.



