Oscar 2026: Por que ‘O Agente Secreto’ pode surpreender na categoria de Filme Internacional
14 de março de 2026Críticos avaliam o duelo contra o favorito norueguês e o impacto da atuação de Wagner Moura na Academia.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

O Brasil volta a parar neste domingo (15) para acompanhar a maior festa do cinema mundial. Pelo segundo ano consecutivo, o país entra no tapete vermelho com chances reais de vitória. Após o triunfo de Ainda Estou Aqui em 2025, a bola da vez é “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que chega ao Oscar 2026 com quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.
A mobilização nacional lembra uma final de campeonato. No Recife, cenário do longa, o Cinema São Luiz e a Rua da Aurora terão transmissões com ingressos esgotados e até concursos de sósias de personagens folclóricos, como a “Perna Cabeluda”. Em Olinda, a sede da Pitombeira dos Quatro Cantos celebra a visibilidade dada por Wagner Moura, que usou a camisa do bloco em festivais internacionais.

As Reais Chances de Estatueta
Apesar do entusiasmo, os críticos pedem cautela. Segundo especialistas como Caryn James (BBC) e Flávia Guerra, o cenário deste ano é extremamente competitivo:
- Melhor Filme Internacional: É a categoria onde o Brasil tem a maior probabilidade de vitória. Contudo, o obstáculo é o norueguês Valor Sentimental. A disputa é acirrada e um “bicampeonato” brasileiro na categoria seria um feito histórico, raramente visto desde os anos 90.
- Melhor Ator (Wagner Moura): Moura consolidou seu status global após vencer o Globo de Ouro. O favoritismo de Timothée Chalamet balançou após polêmicas recentes, abrindo espaço para o brasileiro. No entanto, Michael B. Jordan (Pecadores) ganhou força ao vencer o prêmio do Sindicato dos Atores (SAG).
- Melhor Filme e Direção: Nestas categorias, o longa enfrenta produções de escala monumental. Pecadores, com 16 indicações, e Uma Batalha Após a Outra, com 13, dominam as previsões.
- Direção de Elenco: A indicação de Gabriel Domingues é um marco, mas por ser uma categoria estreante dominada por profissionais de Hollywood, a vitória de um estrangeiro logo no primeiro ano é considerada improvável.
“Local é Universal”
Um dos grandes debates entre a crítica internacional foi a inserção de lendas urbanas nordestinas na trama. Para os especialistas, o fato de Kleber Mendonça Filho não ter feito “concessões” ao gosto americano é justamente o que torna o filme poderoso. “Quanto mais local você é, mais universal você se torna”, pontua Flávia Guerra. O filme não apenas conta uma história brasileira, mas utiliza a linguagem cinematográfica global para traduzir o absurdo do autoritarismo, tornando-o compreensível e impactante para qualquer membro da Academia.
Com o Brasil mais visível do que nunca em Hollywood, a cerimônia deste domingo será o teste final para uma campanha iniciada ainda em Cannes.



