Boulos no PT? Entenda a polêmica que abala as estruturas do PSOL
20 de março de 2026Carta de grupo dissidente expõe suposta estratégia do ministro para migrar de partido e levar base de parlamentares e militantes.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O cenário político brasileiro foi sacudido nesta sexta (20) pela notícia de que Guilherme Boulos deve trocar o PSOL pelo PT. A informação foi divulgada pelo Operativo Nacional da Dissidência da Revolução Solidária (ONDRS), grupo que rompeu com a ala do ministro. Segundo a nota, o partido foi comunicado oficialmente sobre a desfiliação após o recente racha causado pela tentativa de federação partidária.
A carta publicada nas redes sociais alega que a decisão de Guilherme Boulos teria sido tomada entre novembro e dezembro do ano passado. O documento detalha reuniões ocorridas na Praia Grande com a cúpula do PT paulista, onde teriam sido negociadas as condições para a migração. Entre os acertos estaria, inclusive, a viabilização de uma candidatura para sua esposa, Natália Boulos, nas próximas eleições.
A dissidência afirma que a proposta de federação com o PT foi uma narrativa criada apenas para justificar a saída de Guilherme Boulos. Para os críticos, o ministro buscou gerar uma crise interna para arrastar parlamentares e militantes em direção à corrente majoritária de Lula. O temor no PSOL é a perda de quadros importantes, como a deputada federal Erika Hilton, que possui forte influência na legenda.

Em resposta às acusações, a assessoria de Guilherme Boulos divulgou uma nota na qual não nega o conteúdo da carta, mas classifica o documento como apócrifo. O texto afirma que o ministro e seu grupo estão discutindo internamente seus rumos políticos de maneira serena. A nota ainda lamenta o que chama de “oportunismo e desespero” de uma ala do PSOL que teria decidido se apequenar diante do debate.
A movimentação de Boulos para o PT é vista como uma tentativa de se posicionar como sucessor natural da liderança de Lula dentro da maior legenda de esquerda do país. Na noite de quinta, o ministro já havia sido visto em eventos ao lado de Fernando Haddad, reforçando os rumores de proximidade total com o petismo. O movimento pode reconfigurar as alianças para as disputas municipais e estaduais em São Paulo.
Parlamentares do PSOL agora enfrentam o dilema de seguir a liderança de Boulos ou permanecer na sigla que ajudaram a construir. A dissidência apela para que a militância não aceite ser tratada “como gado” e permaneça no partido para reafirmar o projeto original do PSOL. A crise expõe a fragilidade das federações e a intensa disputa por espaço dentro do campo progressista para o ciclo eleitoral de 2026.
Caso a saída se confirme no dia 22 de março, o PSOL perderá seu principal puxador de votos e maior vitrine institucional no governo federal. Por outro lado, o PT ganha um reforço de peso que dialoga diretamente com movimentos sociais e a juventude urbana. Os próximos dias serão decisivos para observar quantos parlamentares acompanharão o ministro nesta transição que altera o tabuleiro político nacional.



