O drama de quem perdeu tudo na explosão do Stiep
27 de março de 2026 Off Por Boca do Rio MagazineRelatos revelam incertezas e falta de auxílio financeiro para famílias que tiveram casas destruídas há exatos trinta dias.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

O cenário de destruição no bairro do Stiep completa um mês nesta sexta (27), deixando um rastro de incertezas para as dezenas de famílias afetadas. Após a explosão seguida de incêndio no Bloco 105A do Conjunto Habitacional dos Bancários, muitos moradores sobrevivem graças à solidariedade. Sem poder retornar aos imóveis, eles relatam dificuldades para acessar benefícios e reconstruir a rotina.
A rotina de Maria da Paixão, de 74 anos, mudou drasticamente após perder o apartamento onde viveu por quase meio século. Atualmente, ela reside de favor na casa de uma vizinha, já que seu imóvel teve o teto desabado e todos os móveis destruídos. A idosa faz parte de um grupo que ainda não recebeu o auxílio moradia municipal por questões burocráticas.
As queixas sobre a falta de apoio financeiro são frequentes entre os sobreviventes da tragédia no Stiep. Embora a prefeitura ofereça o Auxílio Moradia de R$ 400 e o Auxílio Emergência de até três salários mínimos, muitos esbarram nos critérios de renda. O sentimento de abandono cresce à medida que os recursos próprios se esgotam e o trauma psicológico persiste.

A Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) afirma que mantém o acompanhamento das famílias e já distribuiu itens básicos de higiene e alimentação. No entanto, para a concessão do aluguel social, é obrigatório que o beneficiário esteja inscrito no CadÚnico. A análise técnica de cada caso segue em articulação com os órgãos de defesa civil.
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) mantém a interdição total do bloco atingido devido ao risco iminente de desabamento das estruturas remanescentes. Vistorias técnicas confirmaram que partes do edifício estão instáveis e precisam ser demolidas imediatamente. Só após essa intervenção controlada será possível criar um acesso seguro para que os moradores retirem pertences.
No bloco vizinho, o 105B, intervenções paliativas como o fechamento de janelas com madeirite foram feitas para garantir a segurança dos residentes. O objetivo é evitar que detritos da área isolada atinjam quem ainda permanece no conjunto. Enquanto o orçamento para a demolição parcial é finalizado, o perímetro segue isolado por tapumes e vigilância constante.
A recuperação da área exige paciência e suporte contínuo do poder público para evitar que a vulnerabilidade social se agrave. Para os moradores mais velhos, o cansaço físico se soma à dor emocional de ver o patrimônio de uma vida reduzido a escombros. A comunidade do Stiep aguarda agora um cronograma claro para a resolução definitiva do impasse habitacional.



