Michel Temer quebra silêncio sobre contratos milionários com o Banco Master e cita STF

Michel Temer quebra silêncio sobre contratos milionários com o Banco Master e cita STF

10 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Ex-presidente afirma ter recebido honorários por mediação e defende que ministros sob suspeição declarem impedimento

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Michel Temer confirma contrato com Master e defende que ministros do STF sob suspeição declarem impedimento.

O ex-presidente Michel Temer confirmou nesta sexta (10) que prestou serviços de consultoria e mediação para o Banco Master. A contratação ocorreu antes da instituição ser liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Em entrevista, o político admitiu o recebimento de honorários, ressaltando que o contrato foi encerrado sem um resultado prático.

Sobre os desdobramentos jurídicos, o emedebista avaliou que magistrados do Supremo Tribunal Federal com vínculos ao caso deverão se declarar impedidos. Ele demonstrou convicção de que ministros cujos familiares atuam na causa seguirão as normas éticas do sistema normativo. O tema ganha relevância após a divulgação de pagamentos vultuosos a escritórios de advocacia.

O ex-presidente também validou a participação em uma reunião na capital federal com Daniel Vorcaro e Ibaneis Rocha. Apesar de confirmar o encontro, o político evitou detalhar o conteúdo das conversas, alegando sigilo profissional. Segundo ele, a confidencialidade é um pilar ético fundamental para a atuação de advogados em questões de alta complexidade.

Questionado sobre sua relação com Alexandre de Moraes, o ex-presidente negou qualquer tipo de orientação ao ministro que indicou em 2017. Ele defendeu o trabalho técnico de escritórios ligados a parentes de magistrados, afirmando que as assessorias possuem natureza global. Para o político, cada banca possui autonomia para estabelecer seus critérios de cobrança.

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A análise política do caso aponta para um cenário de instabilidade que deve se intensificar no segundo semestre. O ex-presidente prevê que o quadro institucional do país será impactado diretamente pelo avanço das investigações durante o período eleitoral. A influência de Daniel Vorcaro e seus contatos variados seguem sob escrutínio de órgãos de controle.

Até o momento, o ministro Dias Toffoli já se afastou de decisões relativas ao controlador do banco. A medida ocorreu após menções ao seu nome em relatórios extraídos de dispositivos eletrônicos. O cenário gera apreensão no meio político devido à proximidade das convenções partidárias, que definirão as estratégias para as disputas municipais deste ano.

A defesa da integridade das instituições foi um ponto central na fala do ex-presidente. Ele reiterou que o sistema de impedimentos é autônomo e que os juízes agem de forma independente. O desfecho do caso Master continua sendo monitorado pelo mercado financeiro e pelas instâncias superiores do Poder Judiciário em busca de maior transparência e segurança.