
Empresa fluminense adota fluxo rígido contra fraudes em licenças
14 de abril de 2026Medida inclui assinatura de testemunhas e contato direto com unidades de saúde para validar dados profissionais.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução

Uma grande rede de varejo no Rio de Janeiro implementou nesta sexta (17) um sistema robusto para combater a onda de atestados médicos falsos que atinge o setor. A companhia, que emprega cerca de 15 mil colaboradores, registrou um volume alarmante de 15.828 justificativas médicas apenas no primeiro trimestre deste ano. O aumento expressivo acendeu um alerta no departamento de recursos humanos.
A escalada do problema fica evidente na comparação histórica com o ano de 2018, quando o volume de documentos era consideravelmente menor para o mesmo quadro de pessoal. Atualmente, a empresa recebe mais de 5 mil atestados mensais, o que representa um desafio logístico e financeiro. Para conter as irregularidades, foi criado um fluxo que exige assinaturas de testemunhas no ato da entrega.
O núcleo específico de verificação realiza o contato direto com as unidades de saúde para validar a autenticidade das assinaturas e o vínculo dos profissionais citados. Esse processo de auditoria pode levar até 45 dias para ser concluído de forma detalhada. Até o momento, 39 casos foram confirmados como fraudulentos em 2026, enquanto outros 1.500 seguem sob análise rigorosa da diretoria jurídica.

Um dos episódios mais críticos envolveu um funcionário que apresentou 11 documentos falsificados em um curto intervalo de tempo. Todos os papéis eram atribuídos a um hospital municipal, mas a unidade de saúde não reconheceu as emissões após a checagem interna. O trabalhador foi desligado por justa causa e o caso foi encaminhado às autoridades policiais para investigação de crime de falsidade.
A diretora jurídica da rede afirma que a prática se tornou uma “febre” e exigiu um olhar técnico diferenciado para não prejudicar a operação. A estruturação de uma área exclusiva para auditar afastamentos visa proteger a empresa de prejuízos causados pela facilidade de obtenção de documentos ilícitos na internet. A verificação minuciosa tem sido eficaz para desestimular novas tentativas de fraude no ambiente corporativo.
Especialistas em direito do trabalho reforçam que a apresentação de documentos médicos inidôneos quebra a confiança necessária na relação empregatícia. Além da demissão imediata, o infrator pode responder criminalmente, o que agrava ainda mais a situação do trabalhador. A rede de varejo carioca pretende manter o sistema de forma permanente para garantir a integridade de seus processos administrativos internos.
A tecnologia tem sido uma aliada nesse monitoramento, permitindo o cruzamento de dados com registros oficiais de conselhos regionais de medicina. O objetivo não é punir quem realmente precisa de repouso, mas sim identificar os casos de má-fé que sobrecarregam o sistema. A transparência na comunicação sobre o novo núcleo de antifraude já resultou em uma postura mais cautelosa por parte do efetivo.



