Argentinos consomem carne de burro para enfrentar crise econômica

Argentinos consomem carne de burro para enfrentar crise econômica

18 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Com cortes bovinos atingindo valores de luxo, famílias mudam hábitos alimentares para manter proteína no prato

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Telefe

Carne de burro ganha espaço na Argentina como alternativa barata à carne bovina em meio à crise econômica atual.
Argentinos consomem carne de burro para enfrentar crise econômica – Foto: Martin Cossarini/picture alliance via Getty Images

A severa crise econômica na Argentina forçou uma mudança drástica na dieta da população, que agora recorre à carne de burro para garantir proteína nas refeições. Dados revelam que o consumo de carne bovina despencou cerca de 20% devido aos preços elevados, reflexo da inflação persistente que atinge o maior nível em um ano.

A carne bovina tornou-se um item de luxo, com cortes populares ultrapassando a marca de 25 mil pesos argentinos. Diante deste quadro, o projeto “Burros Patagones” surgiu como uma solução viável e econômica para as famílias. O produto “carne de burro” é comercializado por aproximadamente 7,5 mil pesos o quilo, valor significativamente menor que o praticado pelos frigoríficos tradicionais.

O governo de Chubut autorizou formalmente a atividade, que segue rigorosas normas sanitárias para garantir a segurança alimentar. Segundo o produtor Julio Cittadini, a aceitação do mercado foi imediata e surpreendente. O estoque de carne de burro que deveria suprir a demanda de uma semana inteira acabou sendo totalmente vendido em menos de 48 horas de operação.

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A inflação acumulada de 12 meses atingiu 32,6%, impactando diretamente o poder de compra dos cidadãos. O Índice de Preços ao Consumidor subiu para 3,4% em março, superando as projeções anteriores. Esse aumento acelerado nos alimentos básicos empurrou os consumidores para opções como frango e ovos, que também sofreram reajustes recentes no varejo.

Desde dezembro, o pacote de reformas implementado pela presidência retirou subsídios vitais em energia e transporte. Essas medidas elevaram o custo de vida geral, tornando promessas de campanha sobre redução de custos difíceis de cumprir. A suspensão de obras federais e repasses às províncias agravou a situação financeira das famílias em todo o país.

Açougues locais estão se adaptando rapidamente para oferecer alternativas que caibam no bolso do trabalhador. A comercialização da carne de burro é vista como uma estratégia de sobrevivência para o setor agropecuário. O sucesso do empreendimento na Patagônia indica que novos polos de produção podem surgir para atender a demanda interna crescente.

A mudança nos hábitos alimentares reflete a urgência social em um cenário de recessão profunda. Enquanto cortes tradicionais de gado permanecem nas prateleiras por causa do preço elevado, as opções de baixo custo como a carne de burro desaparecem rapidamente. O mercado argentino segue instável, buscando no campo formas criativas de driblar a carestia que assola a nação.