
Transporte público pode ter aumento após nova jornada de trabalho
18 de abril de 2026Estudo da CNT revela impacto bilionário no setor e risco de repasse de custos para o bolso do passageiro em todo o país.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Denisse Salazar/ Ag. A TARDE

O custo do transporte público no Brasil pode sofrer um impacto sem precedentes a partir de 2026. Um estudo recente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais deve gerar um custo adicional de R$ 11,88 bilhões para as empresas do setor. O cenário acende o alerta para um possível reajuste nas passagens pagas pelos usuários.
A mudança legislativa reflete diretamente na pressão operacional das empresas de transporte público, que já trabalham próximas ao limite de carga horária. Com a nova regra, o valor da hora trabalhada deve subir cerca de 10%, resultando em um crescimento imediato de 8,6% nas despesas com folha de pagamento. Como o setor é intensivo em mão de obra, esse aumento é mais severo do que em outras áreas da economia.
Para que o nível de operação do transporte público não seja reduzido, estima-se a necessidade de contratar aproximadamente 240 mil novos trabalhadores. No entanto, o mercado enfrenta um gargalo: 65% das empresas relatam extrema dificuldade em encontrar profissionais qualificados. A falta de motoristas preparados é um dos principais obstáculos para a adaptação à nova jornada de trabalho.

Nesta quarta (22), o debate sobre a viabilidade das pequenas empresas ganha força. Negócios com até nove funcionários destinam quase metade de sua receita bruta ao pagamento de salários. Com a nova lei, esses empreendedores correm o risco de reduzir operações ou até migrar para a informalidade, o que comprometeria a qualidade do transporte público oferecido à população nas periferias e regiões metropolitanas.
Outro ponto crítico levantado pelos especialistas é o baixo nível de produtividade do trabalho no Brasil em comparação com economias desenvolvidas. Sem um aumento real na eficiência, a redução da jornada acaba se tornando apenas um custo adicional, sem benefícios operacionais imediatos. Esse descompasso dificulta a manutenção da competitividade e das tarifas atuais praticadas nos grandes centros urbanos.
A expectativa agora recai sobre possíveis subsídios governamentais ou isenções fiscais que possam amortecer esse impacto bilionário. Sem uma intervenção estrutural, o repasse para o consumidor final parece inevitável. O equilíbrio entre o bem-estar do trabalhador e a manutenção do valor acessível no transporte público será o grande desafio político e econômico dos próximos meses em todo o território nacional.



