
Gilmar Mendes pede desculpas após fala polêmica sobre Romeu Zema
24 de abril de 2026Ministro do STF admitiu erro ao citar homossexualidade como exemplo de ofensa em meio ao embate judicial com o ex-governador mineiro.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Gustavo Moreno-SCO-STF

O cenário político e judiciário brasileiro foi marcado por um pedido de retratação público que expôs a tensão entre a Suprema Corte e lideranças da oposição. O ministro Gilmar Mendes utilizou suas redes sociais para pedir desculpas após relacionar a homossexualidade a uma suposta acusação injuriosa contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A fala original ocorreu durante uma entrevista na última quinta (23), na qual o magistrado exemplificava formas de difamação que poderiam atingir figuras públicas no ambiente digital.
Na ocasião, Gilmar Mendes discutia o pedido para incluir Zema no inquérito das fake news devido a um vídeo em que ministros do STF eram retratados como fantoches. Ao tentar ilustrar o que seria uma ofensa, o ministro sugeriu a criação de bonecos que mostrassem o político como homossexual, questionando se ele não se sentiria agredido. Após a repercussão negativa, o ministro admitiu que errou na escolha do exemplo e reiterou seu compromisso em enfrentar o que chamou de “indústria da difamação” contra o Judiciário.
A resposta de Romeu Zema veio nesta sexta (24), de forma contundente e sem aceitar o tom conciliador do pedido de desculpas. Em entrevista radiofônica, o pré-candidato à Presidência rebateu Gilmar Mendes, trazendo à tona decisões antigas do ministro, como a concessão de liberdade a Roger Abdelmassih. Zema subiu o tom das críticas, utilizando metáforas ácidas para descrever membros do STF e sugerindo que o foco das investigações deveria ser o entorno dos próprios magistrados, e não suas críticas públicas.

A origem do conflito remonta a um vídeo publicado por Zema no mês passado, no qual o político criticava duramente a atuação de Gilmar Mendes e Dias Toffoli no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Para o ministro, o conteúdo da postagem ultrapassa os limites da liberdade de expressão, ferindo a honra institucional do Supremo. O pedido de inclusão de Zema nas apurações conduzidas por Alexandre de Moraes já foi encaminhado para a análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além do embate direto com Gilmar Mendes, o ex-governador mineiro aproveitou o espaço para se posicionar sobre temas legislativos atuais, como o fim da escala de trabalho 6×1. Zema classificou a proposta como populista e defendeu um modelo de flexibilização de jornada inspirado nos Estados Unidos. A postura reforça sua estratégia de pré-campanha pelo partido Novo, focada no liberalismo econômico e no confronto direto com a atual composição da cúpula do Poder Judiciário em Brasília.
Atualmente, o clima entre as instituições permanece em alerta, com a PGR devendo se manifestar em breve sobre a abertura de novas frentes de investigação contra o político. O episódio do pedido de desculpas de Gilmar Mendes evidencia a sensibilidade de temas identitários e a vigilância da opinião pública sobre as falas dos ministros. Enquanto isso, o debate sobre as fake news continua sendo o principal campo de batalha onde se definem os limites entre a crítica política e o ataque às instituições democráticas.



