Petrobras projeta reajuste no preço da gasolina se não houver redução de tributos

Petrobras projeta reajuste no preço da gasolina se não houver redução de tributos

30 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Desconto bancado pelo Governo Federal abrirá espaço para reajuste dos preços nas refinarias

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou nesta terça (28) que a estatal possui planos para realizar ajustes no preço da gasolina cobrado diretamente nas refinarias. A medida está condicionada à aprovação de uma proposta do governo federal que visa reduzir a carga tributária sobre os combustíveis. Segundo a executiva, a intenção é aproveitar a redução de impostos federais para ampliar as margens da companhia sem prejudicar o cidadão.

A estratégia busca garantir que qualquer elevação interna no preço da gasolina não seja repassada aos postos de abastecimento em todo o país. O mecanismo funcionaria de forma similar ao que ocorreu com o diesel em março deste ano, utilizando o desconto tributário como uma espécie de colchão amortecedor. Dessa forma, o valor final pago pelo motorista permaneceria estável, enquanto a empresa conseguiria equilibrar suas contas diante dos investidores.

O projeto de lei em discussão no Congresso Nacional prevê o uso de receitas extraordinárias do petróleo para abater tributos como PIS e Cofins. Chambriard reiterou que essa isenção é suficiente para dar respostas financeiras adequadas tanto ao setor público quanto ao privado nesta terça (28). A companhia aposta na autossuficiência parcial da produção para evitar que a volatilidade internacional do barril de petróleo afete diretamente o mercado doméstico.

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As incertezas geopolíticas globais, especialmente os conflitos recentes no Oriente Médio, têm gerado ansiedade no setor de energia em diversos países. No entanto, a executiva afirmou que a Petrobras não pretende transferir essa instabilidade para o consumidor brasileiro de forma imediata. O controle sobre o preço da gasolina é facilitado pelo fato de o Brasil depender menos de importações deste combustível em comparação ao volume de diesel importado.

Outro fator que contribui para a estabilidade do setor é a oferta robusta de etanol no mercado nacional, que complementa o abastecimento dos veículos flex. O país possui uma infraestrutura sólida no ciclo Otto, permitindo uma flexibilidade maior na gestão de estoques e preços internos. Essa característica técnica atua como uma proteção adicional contra choques externos de oferta que poderiam encarecer a mistura final comercializada nas cidades brasileiras.

A aguardada definição sobre o projeto do PIS e Cofins deve ocorrer nas próximas semanas, definindo o rumo da política de precificação da estatal. Por enquanto, a companhia segue monitorando os indicadores internacionais e o andamento legislativo para colocar o plano em prática. A garantia de que o custo não chegará às bombas é o principal argumento utilizado pela gestão para defender a viabilidade econômica do reajuste estratégico proposto pela diretoria.