Empregada grávida é torturada por patroa e PM em Paço do Lumiar

Empregada grávida é torturada por patroa e PM em Paço do Lumiar

11 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Jovem de 19 anos foi agredida após acusação de furto de anel; empresária e policial militar foram presos pela polícia

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/TV Globo

Caso de tortura em Paço do Lumiar: grávida é agredida por empresária e PM após acusação de furto. Veja áudios e detalhes das prisões.

Um crime bárbaro ocorrido em Paço do Lumiar, no Maranhão, chocou o país nesta segunda (11) após a divulgação de detalhes sobre a tortura sofrida por Samara Regina Dutra. A jovem de 19 anos, grávida de cinco meses, foi mantida em cárcere privado e agredida brutalmente pela patroa, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, e pelo policial militar Michael Bruno Lopes Santos. O pretexto para a violência foi o sumiço de um anel, que posteriormente foi encontrado pela própria vítima em um cesto de roupas sujas.

Durante quase uma hora, Samara viveu momentos de terror em um condomínio de luxo em Paço do Lumiar. Segundo o relato da vítima e áudios da própria agressora, o policial militar utilizou uma arma de fogo para ameaçar a jovem, chegando a colocá-la de joelhos com o cano do revólver em sua boca. Enquanto sofria socos, murros e puxões de cabelo, a empregada doméstica tentava proteger o ventre, temendo que os chutes atingissem seu bebê. A empresária confessou, em mensagens de voz, ter batido tanto na funcionária que sua própria mão ficou inchada e roxa.

A repercussão do caso em Paço do Lumiar também trouxe à tona uma grave denúncia de omissão policial. Após ser expulsa da residência, Samara pediu ajuda e uma viatura foi ao local. No entanto, os policiais militares que atenderam a ocorrência não conduziram a empresária à delegacia. Em áudios, Carolina debocha da situação, afirmando que um dos PMs a conhecia e chegou a rir quando ela disse que “não era nem para a empregada ter saído viva”. A Secretaria de Segurança Pública já afastou os quatro agentes envolvidos para apurar a conduta administrativa.

A investigação revelou que a empresária de Paço do Lumiar possui um histórico criminal extenso, incluindo processos por dívidas e uma condenação anterior por furto. Carolina também já havia sido condenada por caluniar uma ex-babá com acusações semelhantes de roubo de joias. Desta vez, ela tentou fugir com a família para o Paraguai, mudando inclusive a cor do cabelo para evitar a identificação, mas foi presa em um posto de combustíveis no estado do Piauí por equipes de operações integradas.

O policial militar envolvido no crime de Paço do Lumiar, Michael Bruno, já estava afastado do uso de armas há dois anos por problemas psicológicos, o que agrava a denúncia de que ele estaria armado durante a sessão de tortura. Ambos agora respondem por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado, injúria, calúnia e difamação. O laudo pericial confirmou a voz da empresária nos áudios e as diversas lesões contundentes no corpo da jovem gestante.

Apesar do trauma profundo, Samara recebeu uma notícia reconfortante após realizar exames de ultrassonografia: o bebê está bem e não sofreu danos físicos diretos pelas agressões. A defesa dos acusados aguarda a conclusão do inquérito para se manifestar, enquanto a sociedade de Paço do Lumiar e movimentos de defesa dos direitos humanos exigem que o caso não fique impune. “Eu espero justiça, porque ninguém merece passar pelo que passei”, desabafou a vítima ao relembrar o filme doloroso que viveu.