Governo Federal zera taxa das blusinhas para compras no exterior

Governo Federal zera taxa das blusinhas para compras no exterior

13 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Compras internacionais de até US$ 50 voltam a ter isenção tributária após Medida Provisória assinada nesta terça (12)

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Shopee

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O Governo Federal oficializou nesta terça (12), o encerramento da cobrança do imposto de importação sobre encomendas internacionais de pequeno valor, conhecida como taxa das blusinhas. A decisão, que afeta diretamente o consumo em plataformas digitais estrangeiras, zera a alíquota de 20% que incidia sobre produtos de até US$ 50. A mudança foi formalizada por meio de uma Medida Provisória assinada pela presidência e regulamentada por portaria do Ministério da Fazenda em edição extra do Diário Oficial da União.

A extinção da popular taxa das blusinhas representa uma mudança significativa na estratégia econômica atual, visto que a arrecadação com esse tributo havia batido recordes no início deste ano. Somente entre janeiro e abril, a União recolheu cerca de R$ 1,78 bilhão com a tributação dessas encomendas, um crescimento expressivo em relação ao ano anterior. Apesar do fim do tributo federal, o consumidor ainda deverá pagar o ICMS estadual, que em muitos locais foi elevado para 20%.

O anúncio foi celebrado por representantes do governo como um avanço importante para o poder de compra da população física. No entanto, entidades ligadas à indústria nacional e ao varejo têxtil criticaram duramente a medida, classificando-a como um retrocesso que gera concorrência desleal. Para o setor produtivo brasileiro, a retirada da taxa das blusinhas penaliza quem produz internamente e sustenta empregos no país, favorecendo excessivamente os exportadores internacionais, especialmente do mercado asiático.

Até então, o dinheiro proveniente da taxa das blusinhas era utilizado pela equipe econômica para auxiliar no cumprimento das metas fiscais e no ajuste das contas públicas. Com a renúncia dessa receita, o governo precisará buscar novas fontes de arrecadação para atingir o superávit previsto para o encerramento deste ciclo financeiro. No primeiro quadrimestre, o montante de R$ 1,78 bilhão já indicava que o imposto seria uma peça chave para o equilíbrio do orçamento federal.

A nova regra passa a vigorar plenamente a partir desta quarta-feira (13), alterando o cálculo final nos carrinhos de compras dos aplicativos globais. Críticos da taxação anterior argumentavam que a cobrança era irracional por encarecer itens de necessidade básica e produtos populares. Por outro lado, associações industriais afirmam que a falta de isonomia tributária pode causar o fechamento de fábricas e demissões em massa no território nacional nos próximos meses.

A decisão também ocorre em um cenário de queda nas receitas dos Correios, que perderam espaço no mercado de encomendas internacionais desde a implementação de programas de conformidade. A estatal viu sua participação no segmento cair drasticamente, evidenciando a necessidade de um reposicionamento comercial diante das novas regras de mercado. A repercussão do fim da taxa das blusinhas deve seguir intensa no Congresso Nacional, onde frentes parlamentares prometem debater os impactos na economia formal.