
Papéis da estatal mineira registram forte valorização na reta final do pregão desta quarta-feira
3 de junho de 2026Movimentação atípica envolve o ativo csmg3 após novidades sobre o processo de desestatização
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: infomoney
O mercado financeiro doméstico testemunhou uma verdadeira reviravolta nos momentos derradeiros do pregão na Bolsa de Valores. Em poucos minutos, de forma adjacente ao fechamento dos negócios, as ações ordinárias da Copasa registraram uma forte disparada nas ordens de compra. Os papéis listados sob o código csmg3 fecharam a sessão desta quarta-feira (03) com um salto expressivo de 13,34%, cotados ao valor de R$ 60 por unidade, figurando entre os principais destaques de valorização do dia na B3.
O pano de fundo para essa movimentação agressiva envolve os bastidores da segunda tentativa de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais. De acordo com informações veiculadas pelos portais AE News e Valor Econômico junto a fontes próximas ao processo, a Equatorial Energia formalizou uma nova proposta para disputar a cobiçada vaga de sócio de referência da estatal mineira. Pelo desenho preliminar da operação, esse investidor estratégico deverá assumir 30% das ações totais da empresa, o que impulsionou o ticker csmg3. Os papéis da própria Equatorial também encerraram em campo positivo, exibindo um ganho mais modesto de 1,89%, negociados a R$ 39,81.
Como fica a disputa pelo controle e quais os próximos passos do processo?
A grande surpresa da rodada, no entanto, ficou por conta da ausência do consórcio comandado pela Aegea Saneamento, que acabou ficando de fora desta nova fase da disputa. Com este cenário de consolidação de propostas, a Equatorial desponta como a favorita para ser classificada como a grande vencedora nesta etapa crucial do certame de privatização. O cronograma do projeto aponta que, na próxima sexta-feira (05), a oferta será levada ao mercado aberto por meio de uma operação típica de distribuição de ações conhecida como “follow-on”.

Apesar da euforia generalizada que tomou conta dos detentores de csmg3, o andamento do processo de privatização segue sob constante monitoramento por parte dos grandes investidores institucionais. O mercado de capitais mantém o foco voltado para as cláusulas, condições e termos de governança estabelecidos na modelagem do negócio. Em um relatório de análise divulgado recentemente, a equipe da Genial Investimentos ressaltou que mantém uma visão construtiva sobre a tese de desestatização, mas fez um alerta importante de que o preço dos ativos passou a figurar como o principal ponto de atenção no curto prazo.
Vale a pena investir na Copasa diante dos múltiplos atuais?
Na visão dos analistas de mercado, a concessionária mineira carrega atributos regulatórios bastante robustos que dão sustentação para uma tese de reprecificação patrimonial de longo prazo. Entre os destaques positivos, cita-se uma taxa de retorno regulatório (WACC) pós-impostos superior à praticada pela Sabesp, além de uma estimativa de crescimento acelerado para a base de remuneração regulatória até o ano de 2030, fatores que justificam a negociação de csmg3 com um prêmio em relação aos seus pares diretos.
Contudo, a casa de análise ponderou que as cotações atuais na Bolsa já anteciparam uma parcela significativa de todo esse potencial de valorização. A Copasa passou a ser negociada a um patamar aproximado de 1,51 vez o valor da firma sobre a base de ativos regulatórios (EV/RAB) projetada para 2026, patamar consideravelmente acima do indicador de 1,05 vez registrado pela Sabesp. Os especialistas alertam que esse prêmio foi aplicado pelo mercado mesmo antes da batida de martelo da privatização, sem um controlador definido e em meio aos riscos inerentes à execução de uma reestruturação operacional (turnaround) em uma companhia historicamente controlada pelo Estado.



