Natanzinho Lima lança álbum ao vivo ‘Na liga em Sampa’, mas regravação de ‘Malandragem’ gera polêmica

Natanzinho Lima lança álbum ao vivo ‘Na liga em Sampa’, mas regravação de ‘Malandragem’ gera polêmica

13 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Registro de show no Anhembi traz inéditas e uma releitura de clássico que gerou controvérsia entre críticos

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

O cenário da música brasileira em 2026 vive um momento de forte consolidação de novos ritmos, onde artistas que ascenderam através do arrocha, do brega e do piseiro dominam os grandes palcos do país. Neste contexto de efervescência, o cantor sergipano Natanzinho Lima desponta como um dos nomes de maior apelo popular. No entanto, a busca por uma identidade sonora que transite entre o sucesso comercial e a experimentação nem sempre encontra consenso, especialmente quando se trata de revisitar hinos sagrados da MPB, como ocorreu no recém-lançado álbum Na liga em Sampa.

Lançado na noite de quinta-feira, 11 de junho de 2026, o registro audiovisual captura o momento de ascensão do artista durante o grandioso show apresentado no Anhembi, em São Paulo, no dia 23 de maio. Com um público alardeado de 30 mil pessoas, o espetáculo foi planejado para reafirmar a força do artista no mercado pop nacional. Contudo, a escolha da 14ª faixa do álbum, a lendária “Malandragem”, tem dominado os debates especializados, sendo classificada por críticos como uma das adaptações mais destoantes da trajetória da música desde o seu lançamento definitivo na voz de Cássia Eller em 1994.

O conflito entre o estilo do artista e o clássico de Cazuza e Frejat

A música, composta por Roberto Frejat e Cazuza, carrega uma história peculiar — foi oferecida originalmente a Angela Ro Ro em 1988, que a recusou, antes de se tornar o marco definitivo na carreira de Cássia Eller. Ao integrar a faixa ao repertório de um artista cuja identidade musical é moldada pelo arrocha e pelo brega, a produção de Natanzinho Lima gerou um choque estético. A letra e a melodia, carregadas de uma atitude rock/blues, parecem não dialogar com a proposta sonora que alçou o cantor ao estrelato em 2024.

O questionamento levantado pelo público e pela crítica especializada reside na estratégia de repertório. Enquanto o artista brilha ao apresentar suas próprias composições, o movimento de incluir um clássico tão identitário de outro gênero sem uma releitura que se sustente acaba por criar uma dissonância que, segundo analistas, acaba prejudicando a interpretação final e a própria recepção da faixa dentro do álbum.

“A inclusão de ‘Malandragem’ em um projeto que celebra a ascensão de um fenômeno do piseiro levanta dúvidas sobre o sentido artístico de arriscar um clássico que não conversa com o universo do cantor”, avaliam observadores do mercado fonográfico sobre o trabalho de Natanzinho Lima.

O sucesso de ‘Na liga em Sampa’ além da controvérsia

Apesar das críticas direcionadas a uma faixa específica, o álbum Na liga em Sampa cumpre seu papel de registrar o sucesso de Natanzinho Lima. O repertório é recheado de apostas fortes em inéditas que prometem ditar o ritmo das próximas festas, como “Banho de cachaça”, “Dois cachorros” e “Pesadelo”. O projeto foi concebido com uma estrutura hi-tech, condizente com a dimensão de um artista que arrasta multidões.

Além das faixas que já figuram na primeira safra do álbum, o material promete desdobramentos importantes. Estão previstos para lançamento posterior os encontros musicais gravados durante a mesma apresentação, incluindo feats de peso com nomes consagrados como Belo (na música “Meia noite e meia”), Panda (em “Buzina”) e Xand Avião (na faixa “Manda eu”). Por ora, a estratégia de divulgação concentra os holofotes na música “Até quando”, que busca consolidar o nome de Natanzinho Lima como uma das figuras centrais da música brasileira atual, para além das polêmicas sobre escolhas de repertório.