
Sergio Moro quebra o silêncio sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o Banco Master. Senador defende abertura de CPI e cobra apuração rigorosa de desvios
15 de junho de 2026Ex-juiz cobra apuração rigorosa sobre denúncias e afasta qualquer blindagem a suspeitas envolvendo o Banco Master
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Germano Luders/VEJA
O cenário político e institucional brasileiro frequentemente se depara com episódios em que alianças partidárias e discursos de combate à corrupção entram em rota de colisão devido a investigações de repercussão nacional. A habilidade dos parlamentares em equilibrar a lealdade aos correligionários com as demandas de seus eleitores por transparência serve como um teste de sobrevivência pública, especialmente em anos de definição de candidaturas majoritárias. Nesses momentos, a busca por isenção e o apoio a mecanismos de fiscalização, como as Comissões Parlamentares de Inquérito, viram ferramentas de posicionamento nos bastidores do poder, como ocorre nas discussões sobre o Banco Master.
Nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, o senador Sergio Moro, do PL do Paraná, utilizou sua participação em um debate público para delimitar sua postura diante das suspeitas que envolvem figuras de destaque de sua própria legenda. Ao ser abordado por jornalistas logo após o término do VEJA Fórum Rumos do Brasil, o parlamentar, que projeta sua disputa ao governo paranaense, foi confrontado com perguntas sobre a relação do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro, nome forte do Banco Master.
O posicionamento de Moro sobre as assinaturas de CPI e as acusações de suborno
Ao responder aos questionamentos, Moro evitou disparar críticas diretas ao seu colega de partido, preferindo focar na necessidade de uma apuração institucional completa e sem favorecimentos. O senador paranaense fez questão de destacar que tanto ele quanto o próprio Flávio Bolsonaro assinaram os requerimentos para a abertura de uma CPI e de uma CPMI no Congresso Nacional com o intuito de investigar a fundo as movimentações da instituição. Ele aproveitou o momento para empurrar o desgaste político em direção aos adversários, afirmando que a base de sustentação do governo federal sempre se posicionou de forma contrária às investigações sobre as atividades do Banco Master.

Moro contextualizou que o estouro do escândalo financeiro se deu sob a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando indícios severos de irregularidades que precisam ser varridos a limpo pelas autoridades competentes. O ex-juiz da Operação Lava Jato reforçou seu compromisso histórico de atuação pública, deixando claro que não possui qualquer espécie de pacto ou tolerância com desvios de conduta, independentemente de onde partam as suspeitas. Para ele, o preenchimento das assinaturas por parte da oposição demonstra o interesse em esclarecer os fatos em torno do Banco Master.
“Eu sou favorável à completa apuração do caso. Inclusive eu assinei CPI, assinei CPMI, que a base do governo sempre foi contra. O senador Flávio Bolsonaro assinou os requerimentos pra que fossem feitas as investigações. Eu não tenho nenhum compromisso com qualquer espécie de desvio”, asseverou o parlamentar ao fixar sua independência diante do imbróglio do Banco Master.
Cobrança proporcional e as comparações com investigações familiares
A condução dos debates internos no partido agora entra em uma fase de expectativa pelos próximos passos jurídicos e legislativos. Sergio Moro ponderou que o pré-candidato à Presidência apresentou suas devidas justificativas públicas e chancelou o pedido de abertura dos inquéritos parlamentares, restando agora aguardar os desdobramentos técnicos das apurações conduzidas pelos órgãos de controle econômico. A estratégia da oposição em Brasília é manter a pressão sobre a governabilidade usando o peso das denúncias ligadas ao Banco Master.
Concluindo suas declarações no fórum, o senador do Paraná externou um incômodo com o que considera uma disparidade no tratamento e na cobertura jornalística de escândalos recentes. Moro cobrou o mesmo nível de rigor e cobrança pública em relação às investigações que miram Fábio Luís Lula da Silva, filho do atual presidente da República. De acordo com o senador, pessoas muito próximas a Lulinha enfrentam apurações pesadas da Polícia Federal por supostas fraudes cometidas contra o INSS, tema que, segundo sua ótica, deveria receber o mesmo destaque dado ao noticiário do Banco Master.




