
Holding Cosan avalia novas vendas de ativos e estuda negociar fatia da Compass no mercado
17 de junho de 2026Após levantar quase R$ 600 milhões com a Radar, Cosan busca reduzir alavancagem financeira
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação
O acompanhamento das movimentações das grandes holdings de infraestrutura e energia no mercado financeiro é essencial para investidores que buscam capturar as melhores oportunidades da bolsa de valores. Quando uma gigante do setor corporativo adota uma política agressiva de reciclagem de capital, o mercado reage de forma imediata, projetando os impactos dessas decisões na saúde financeira do grupo. Estruturar o portfólio para enfrentar cenários de juros altos exige coragem dos gestores, uma realidade que define o atual momento estratégico vivido pela Cosan.
A holding deu um passo importante em seu plano de otimização de portfólio ao fechar a venda de 12% dos ativos da empresa de gestão de terras Radar. A operação rendeu um montante expressivo de R$ 586 milhões diretamente para o caixa da companhia, considerando a fatia proporcional que cabia ao grupo. O portfólio total negociado envolveu 41,2 mil hectares voltados para o cultivo de commodities agrícolas no Mato Grosso, transação fechada pelo valor total de R$ 1,85 bilhão, injetando liquidez imediata nos planos da Cosan.
Redução de alavancagem e busca por equilíbrio financeiro
O principal motor por trás desse movimento de desinvestimento é o plano de redução da alavancagem financeira da Cosan. O grupo encerrou o último trimestre com uma relação de dívida líquida sobre Ebitda em 3,3 vezes, patamar considerado elevado por analistas de mercado que cobrem o setor de infraestrutura. Para reequilibrar essa métrica, o comitê de acionistas já avalia a venda de fatias adicionais da própria Radar, cujo patrimônio líquido total estava avaliado em robustos R$ 18 bilhões, mantendo o foco da Cosan na eficiência.

Além do braço imobiliário agrícola, a empresa de ferrovias Rumo também está na esteira de cortes e desinvestimentos, com processos de negociação de participação já ativos no mercado corporativo. Outro ativo estratégico que entrou na mira dos analistas foi a Compass. Após levantar R$ 3,2 bilhões com a abertura de capital da distribuidora de gás neste ano, o encerramento do período de restrição de vendas em novembro abre espaço para que uma nova fatia seja negociada pela Cosan.
O futuro da Raízen e os desafios operacionais do grupo
O cenário ganha contornos mais dinâmicos quando avaliamos as demais subsidiárias controladas pela holding de Rubens Ometto. No caso da Moove, especializada no mercado de lubrificantes, os planos para uma listagem pública internacional exigirão mais tempo de maturação. O foco da diretoria está voltado para a plena recuperação operacional após o incidente com fogo que atingiu a unidade fabril no Rio de Janeiro, um passo necessário antes que a Cosan tente uma nova oferta pública em Nova York.
“A companhia considera avaliar a venda de sua participação na joint venture no futuro, dependendo das condições de mercado e do andamento da reestruturação da dívida”, indicou a liderança executiva da Cosan durante conversa recente com analistas do setor financeiro.
A reestruturação da dívida da Raízen, operação realizada em parceria com a Shell, também deve gerar uma diluição planejada da holding na distribuidora de combustíveis nos próximos anos. Embora a assessoria de imprensa da companhia tenha informado que não existem tratativas formais em andamento para a venda imediata de fatias da Compass, o mercado segue atento. A busca constante por eficiência e desalavancagem garante que os próximos trimestres sejam movimentados para os investidores da Cosan.




