Joias e relógios apreendidos com Deolane em 2022 eram falsos, revela delegada em entrevista

Joias e relógios apreendidos com Deolane em 2022 eram falsos, revela delegada em entrevista

26 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Maria Corsato detalha bastidores de antiga operação de busca e apreensão contra a influenciadora

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução Instagram

A exposição da rotina de ostentação nas plataformas digitais converteu-se em um dos principais combustíveis para o engajamento de massas no ambiente virtual. A exibição de carros importados, mansões e acessórios de grifes internacionais molda a identidade de influenciadores que atraem milhões de seguidores com a promessa de um estilo de vida inacessível para a maioria da população. Contudo, quando essas figuras públicas entram no radar de investigações de órgãos de controle financeiro e da polícia judiciária, o contraste entre a narrativa ostentada nas redes e a realidade dos bastidores processuais ganha contornos dramáticos.

Em entrevista veiculada recentemente no podcast “Café com Pires”, a delegada da Polícia Civil de São Paulo, Maria Corsato, trouxe a público detalhes inéditos sobre uma das primeiras grandes ações de busca e apreensão direcionadas à influenciadora Deolane Bezerra, ocorrida no ano de 2022. De acordo com o relato da autoridade policial, os luxuosos acessórios de moda localizados na residência da advogada criminalista durante a operação não correspondiam ao valor de mercado sugerido nas publicações da internet. A policial garantiu que os relógios de marcas famosas e as joias recolhidas pelas equipes eram, na verdade, réplicas.

Operação contra empresa de apostas e carros de um milhão

Naquela oportunidade, Deolane figurava como uma das investigadas em um procedimento policial que apurava a conduta de influenciadores digitais na divulgação e engajamento publicitário da Betzord, empresa voltada ao segmento de jogos e apostas esportivas no ambiente online. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, a Polícia Civil efetuou a apreensão de dois automóveis de alto padrão pertencentes à criadora de conteúdo: um modelo Land Rover Discovery e um Porsche, este último com valor de mercado estimado em 1 milhão de reais. Anotações pessoais e equipamentos eletrônicos também foram levados para análise técnica.

“Não tinha dinheiro na casa dela, não tinha nada. O que ela tinha de relógio e joia era tudo falso, mesmo sendo falso a gente trouxe. Tinha um computador lá, daqueles pequenininho, o celular dela foi trazido”, relembrou a delegada Maria Corsato durante a gravação.

A ação policial de 2022 gerou uma forte reação por parte da influenciadora, que utilizou suas contas oficiais para acusar a delegada de promover uma perseguição pessoal e injustificada contra sua integridade. Deolane chegou a formalizar uma denúncia contra Corsato na Corregedoria, alegando que a operação possuía motivações políticas decorrentes de suas manifestações públicas de apoio partidário no período eleitoral. A delegada revelou na entrevista que precisou responder formalmente a um processo de apuração interna por dois anos, procedimento que só acabou arquivado de forma definitiva pela instituição em 2024.

Manutenção da prisão preventiva no âmbito da Operação Vérnix

A lembrança do caso de 2022 coincide com um momento de severa complicação jurídica para a advogada. O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou, em sessão realizada nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, um novo pedido de habeas corpus impetrado pela equipe de defesa da famosa. A decisão ratifica o entendimento liminar anterior de que não existem ilegalidades na manutenção de sua custódia preventiva, decretada no contexto das apurações da Operação Vérnix. A influenciadora segue recolhida nas instalações da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada na região interiorana do estado.

Os esforços da defesa para obter o benefício da prisão domiciliar também esbarraram em uma negativa de caráter monocrático no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Flávio Dino, que não identificou constrangimento ilegal no cárcere. A denúncia formalizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSC) imputa à influenciadora os crimes de lavagem de capitais e participação em organização criminosa. A acusação sustenta que a advogada teria recebido repasses financeiros de uma empresa de logística apontada como fachada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para a ocultação de ativos ilícitos, acusação que a ré nega veementemente, justificando os valores como honorários profissionais.