
Asteroide gigante com mais de 1 km de diâmetro passará perto da Terra neste sábado
26 de junho de 2026Objeto espacial viaja a 9 km/s e poderá ser observado com o auxílio de telescópios amadores
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: dzika_mrowka/Getty Images/Reprodução
O monitoramento do espaço profundo consolidou-se como uma das vertentes mais estratégicas da ciência contemporânea, mobilizando agências internacionais na catalogação de corpos celestes que cruzam as vizinhanças do nosso sistema planetário. Esses remanescentes da formação do Universo, datados de bilhões de anos, guardam pistas valiosas sobre a evolução química e física do cosmos. Quando um desses objetos de dimensões expressivas realiza uma aproximação em relação à órbita terrestre, a comunidade astronômica mobiliza seus instrumentos de alta precisão para coletar dados inéditos e decifrar as propriedades da matéria rochosa espacial.
Neste sábado, 27 de junho de 2026, os entusiastas da astronomia e cientistas terão os olhos voltados para o firmamento devido a um encontro cósmico de grandes proporções. Um asteroide gigante passará em uma rota considerada próxima da Terra, em termos astronômicos, oferecendo uma oportunidade singular de estudo e observação. Batizado oficialmente como (152637) 1997 NC1, o corpo rochoso possui dimensões estimadas que podem ultrapassar 1,6 quilômetro de diâmetro, o equivalente a cinco Torres Eiffel empilhadas, deslocando-se no vácuo a uma velocidade aproximada de 9 quilômetros por segundo.
Apesar das dimensões colossais do visitante espacial, as autoridades de defesa planetária garantem que o evento não apresenta qualquer ameaça à integridade do nosso mundo. No instante de máxima aproximação, previsto para ocorrer às 8h14 (horário de Brasília), o asteroide manterá uma distância de segurança de 2,56 milhões de quilômetros da superfície terrestre. Esse intervalo equivale a mais de seis vezes a distância média entre a Terra e a Lua, patamar considerado confortável pelos astrônomos para descartar qualquer possibilidade de colisão mecânica neste século.

A classificação técnica do 1997 NC1 como um objeto “potencialmente perigoso” decorre estritamente de parâmetros matemáticos de tamanho e cruzamento orbital, e não de um perigo iminente. O astro integra o grupo dos asteroides Aten, cujas trajetórias ocorrem majoritariamente na parte interna da órbita terrestre, cortando o caminho que o nosso planeta percorre ao redor do Sol. O cálculo exato do seu diâmetro varia entre 750 e 1.650 metros devido às incertezas sobre o albedo, ou seja, a capacidade da superfície de refletir a luz solar, mistério que os pesquisadores pretendem solucionar com as observações deste fim de semana.
“A probabilidade de colisão deste corpo celeste com a Terra é nula. Trata-se de um laboratório natural passando de forma inofensiva pela nossa vizinhança”, declarou o Escritório de Defesa Planetária da Agência Espacial Europeia (ESA).
Para os observadores que pretendem acompanhar o fenômeno de perto, vale destacar que o objeto não apresentará brilho suficiente para ser detectado a olho nu. Será indispensável o uso de binóculos potentes ou pequenos telescópios amadores, além de buscar refúgio em áreas rurais ou localidades com baixa poluição luminosa nas cidades. De acordo com os dados da ESA, o Hemisfério Norte contará com condições privilegiadas nas primeiras horas da aproximação, enquanto os moradores do Hemisfério Sul, incluindo os observadores no Brasil, terão melhores chances de captação após o ponto de virada, quando o astro iniciar seu movimento de afastamento.
O astrofísico Gianluca Masi informou que o pico de luminosidade do asteroide deve ocorrer por volta das 21h deste sábado, atingindo uma magnitude astronômica de 10,1. Como o brilho da Lua cheia pode ofuscar a observação direta no céu noturno, uma excelente alternativa para o público leigo é recorrer às plataformas digitais. O Virtual Telescope Project realizará transmissões ao vivo com imagens captadas por potentes lentes robóticas, garantindo que qualquer pessoa conectada à internet possa testemunhar este evento raro, que só costuma se repetir a cada intervalo de alguns anos no Sistema Solar em 2026.



