Estudo publicado em revista científica omitiu reação fatal em criança de 6 anos e financiamento da família
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Public Domain Pictures/Pixabay
Uma investigação internacional colocou sob escrutínio uma série de experimentos com edição genética realizados na China, após a revelação da morte de uma menina de 6 anos. A criança, identificada pelo pseudônimo Mei, faleceu em março de 2025 devido a uma reação imunológica severa desencadeada por uma terapia experimental de reescrita de DNA no cérebro.
A apuração divulgada pela revista científica Science, em parceria com o portal Retraction Watch, revelou que a equipe liderada pelo neurocientista Qiu Zilong, da Universidade Jiao Tong de Xangai, omitiu a morte da criança em um artigo acadêmico publicado posteriormente na conceituada revista Nature.
“Tomar conhecimento da realidade dessas medidas de segurança ausentes mudou fundamentalmente a forma como vemos todo o projeto. Não tínhamos ideia de quão incomuns e perigosas eram muitas das medidas tomadas”, declarou o pai da menina às publicações internacionais.
Tentativa de alteração no DNA e alertas ignorados
Os experimentos tinham como objetivo tratar uma mutação rara que afetava o neurodesenvolvimento da criança no renomado Hospital Xinhua. Durante o procedimento, a equipe médica infundiu trilhões de vírus contendo o editor de bases genéticas diretamente no líquido cefalorraquidiano de Mei. A menina faleceu sete dias após a aplicação.
Sete especialistas em genética, virologia e bioética que analisaram os dados do estudo apontaram falhas graves na conduta da pesquisa. Segundo as análises:
Alertas ignorados: O responsável pela pesquisa avançou com os ensaios ignorando sinais de risco observados em etapas anteriores com animais;
Minimização de riscos: A equipe teria apresentado aos pais uma expectativa irreal de sucesso, sem transparência sobre os perigos reais da intervenção;
Omissão de dados: Além do óbito, o financiamento fornecido pelos próprios pais para os experimentos foi ocultado do artigo publicado no início de 2026.
Cobrança por revisão e investigação dos métodos
A revelação dos fatos motivou cientistas do mundo inteiro a exigir a revisão imediata do artigo publicado na Nature, além da divulgação completa das fontes de financiamento e dos dados brutos dos experimentos. Em nota, a direção da Nature afirmou que não tinha conhecimento das intercorrências clínicas e da morte associada ao ensaio antes de aceitar o trabalho para publicação.
O caso reacendeu o debate global sobre os limites éticos na aplicação de terapias genéticas em seres humanos e a fiscalização de ensaios clínicos experimentais. As autoridades acadêmicas locais mantêm a investigação aberta para apurar a responsabilidade médica e científica dos envolvidos no projeto.