
Tamara Klink gera discussão sobre pegada ambiental ao pedir que leitores não comprem seu livro
7 de agosto de 2026Autora de “Bom dia, inverno” sugere empréstimos e bibliotecas para reduzir o impacto da produção de papel
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/Instagram
Muitos autores buscam alcançar o topo das listas de mais vendidos e ampliar continuamente a tiragem de suas obras. Contudo, Tamara Klink, autora do livro Bom dia, inverno, decidiu propor um caminho diferente ao público. Após ver sua obra atingir o primeiro lugar de vendas no Brasil ao narrar a experiência de ter passado meses sozinha no mar da Groenlândia, a navegadora utilizou suas redes sociais para fazer um apelo direto aos leitores: evitar a compra de novos exemplares impressos e priorizar o compartilhamento das edições que já existem no mercado.
A motivação apresentada pela filha do velejador Amyr Klink está diretamente ligada à pegada ecológica do mercado editorial. De acordo com a escritora, a produção de cada nova cópia física exige consumo de papel, gasto de energia e emissões de gases poluentes, o que gera uma pressão desnecessária sobre os ecossistemas. Como alternativa, a autora sugere o uso de bibliotecas públicas, além de doações e empréstimos entre amigos e familiares, evitando que o livro fique parado nas prateleiras após uma única leitura.
O impacto ambiental da produção de livros de papel
A manifestação da escritora gerou discussões intensas nas redes sociais e trouxe à tona questionamentos sobre a real pegada ecológica envolvida na fabricação de livros. Estima-se que um pinheiro adulto utilizado no cultivo de celulose consiga fornecer papel para a impressão de cerca de 25 livros de 300 páginas, embora esses valores variem conforme a gramatura, formato e tipo de folha. Com base nesses dados, um leitor assíduo que consome um livro impresso por mês demanda indiretamente o uso de uma árvore de grande porte a cada dois anos.

Além do consumo de matéria-prima vegetal, a pegada de carbono da indústria do papel também se destaca nas métricas de sustentabilidade. Calcula-se que a fabricação e o transporte de um livro impresso convencional emitam entre 1 kg e 2,5 kg de gás carbônico na atmosfera. Em escala global, a demanda por novas impressões requer o manejo e o corte de bilhões de árvores ao longo de cada década, o que acarreta debates sobre a eficiência da circulação de bens culturais.
O comparativo entre livros impressos e leitores digitais
A discussão motivada pelo posicionamento de Tamara Klink também abrange a viabilidade dos e-readers como alternativa ecológica ao papel. Estudos indicam que a pegada de carbono gerada durante a fabricação e o ciclo de vida de um leitor digital equivale à produção de cerca de 30 a 70 livros físicos. No quesito hídrico, a demanda necessária para fabricar um único dispositivo digital corresponde ao gasto de água envolvido na confecção de aproximadamente 11 volumes de papel.
Dessa forma, a migração para o ambiente digital traz vantagens ambientais principalmente para leitores de alto volume, que utilizam o mesmo aparelho para consumir dezenas de títulos ao longo dos anos. Para os leitores casuais, as alternativas de reaproveitamento, como sebos, trocas diretas e bibliotecas comunitárias, surgem como soluções acessíveis e de baixo impacto ambiental.
Iniciativas da indústria para reduzir a pegada ecológica
Apesar dos custos ambientais envolvidos na produção, o setor editorial tem adotado medidas para amenizar os impactos da cadeia produtiva. Atualmente, a maior parte das grandes editoras utiliza papel oriundo exclusivamente de florestas de reflorestamento devidamente certificadas, impedindo a extração em áreas de matas nativas. Além disso, cresce a adoção de matérias-primas recicladas e de insumos de menor impacto ambiental na confecção de capas e miolos.
Outra tendência envolve a reformulação do projeto gráfico das publicações. Algumas casas editoriais têm apostado em tipografias mais eficientes e na redução de margens e espaçamentos, conseguindo condensar textos sem prejudicar a legibilidade. Uma diminuição de 20% no volume de páginas de uma obra pode representar uma redução equivalente nas emissões de carbono, demonstrando que a otimização de recursos é um caminho viável para equilibrar a circulação de conhecimento e a preservação do planeta.




