
Brics pode perder o Brasil em eventual gestão de Zema voltada para a OCDE
9 de agosto de 2026Plano de governo do candidato prevê saída diplomática do bloco e foco na integração com democracias liberais
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A presença do Brasil no Brics entrou no centro do debate político após a divulgação do plano de governo de Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República. O documento estabelece como uma das metas de política externa a retirada diplomática do país do bloco formado por economias emergentes. A intenção da equipe de campanha é redirecionar os esforços internacionais do país para a adesão plena à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida por reunir as nações mais desenvolvidas do planeta.
Segundo o texto da proposta, a desvinculação em relação ao Brics seria conduzida de maneira pragmática, preservando integralmente os acordos comerciais e as parcerias bilaterais já existentes com os integrantes do grupo. A justificativa central apresentada pelos assessores da campanha apoia-se na tese de que o Brasil deve recusar direcionamentos geopolíticos que possam comprometer seus valores constitucionais e democráticos, focando no alinhamento com mercados de elevado grau de governança.
Avaliação sobre o desempenho comercial do bloco emergente
Integrantes da campanha presidencial sustentam que o Brics não obteve êxito em evoluir significativamente na cooperação econômica profunda ao longo dos últimos anos. Na visão dos formuladores do plano, a única conquista palpável da aliança foi a criação do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento). Apurações bastidores indicam que a equipe do candidato critica a ausência de mecanismos concretos para facilitar o comércio direto, harmonizar padrões regulatórios ou integrar cadeias globais de valor entre os países membros.

Diante do diagnóstico de estagnação comercial no Brics, o programa propõe substituir essa atuação pela entrada na OCDE. A premissa defensiva aponta que a adoção do livre comércio e o cumprimento das exigências institucionais do “clube dos países ricos” trouxeram prosperidade às democracias liberais. O documento prevê a realização de reformas econômicas e fiscais internas necessárias para tornar o ambiente de negócios brasileiro mais competitivo e atrair investimentos estrangeiros diretos.
Adequação às normas globais e mudanças no Mercosul
A estratégia para compensar a saída do Brics envolve a aceitação de diretrizes rígidas exigidas pelo organismo internacional. Entre as medidas citadas no plano estão a adequação das regras de tributação brasileiras aos padrões globais, a redução sistemática de barreiras tarifárias e não tarifárias, a garantia de sustentabilidade das contas públicas e a implementação de mecanismos de governança que evitem a interferência política em empresas estatais.
Além das mudanças em relação ao Brics e à OCDE, a proposta de governo engloba uma reestruturação nas dinâmicas regionais da América do Sul. O plano prevê a transformação do Mercosul em uma área de livre comércio simplificada. A meta declarada dessa alteração é conceder autonomia para que o Brasil possa destravar e assinar acordos bilaterais diretos com múltiplos parceiros ao redor do mundo, sem a necessidade de consenso prévio de todos os membros do bloco sul-americano.




