Conselho de Ética aprova continuidade de processo contra Erika Hilton, mas prazo do mandato pode barrar punição

Conselho de Ética aprova continuidade de processo contra Erika Hilton, mas prazo do mandato pode barrar punição

11 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Colegiado dá aval para abertura de investigação por 10 votos a 5, mas calendário eleitoral da Câmara ameaça conclusão do processo

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Tony Winston/Câmara dos Deputados

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (11), por 10 votos a 5, o parecer que recomenda a continuidade do processo de apuração contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O relatório preliminar, elaborado pelo deputado Gilberto Silva (PL-PB), marca o início formal das investigações sobre a conduta da parlamentar.

Apesar do avanço no colegiado, o procedimento dificilmente chegará a uma conclusão final antes do término do mandato atual. O calendário da Câmara encontra-se severamente encurtado em razão do período eleitoral. Com o primeiro e segundo turnos agendados para outubro de 2026, os parlamentares em campanha reduzem a presença em Brasília. Como a legislatura se encerra em dezembro e os processos não concluídos são automaticamente arquivados, o tempo hábil para eventual punição em plenário é considerado escasso.

Origem da representação e argumentos de defesa

A representação contra a deputada Erika Hilton foi protocolada pelo partido Missão, que pede a cassação do seu mandato por suposta quebra de decoro parlamentar. A ação fundamenta-se em declarações publicadas pela deputada em redes sociais após ter sido eleita presidente da Comissão da Mulher. Na ocasião, em resposta a críticas e ataques recebidos, a parlamentar afirmou que não se importava se o “esgoto da sociedade não gostou” e que a opinião de “imbeCIS” não lhe interessava.

NoMagazineTem bdrm

Durante a sessão do Conselho de Ética, a defesa da parlamentar foi apresentada pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP). A parlamentar sustentou que a representada apenas exerceu seu direito de manifestação de opinião pessoal na internet e que o colegiado não pode ser utilizado para silenciar mandatos. Em contrapartida, parlamentares favoráveis à investigação, como o deputado Fausto Junior (União-AM), criticaram a ausência de Erika na reunião e defenderam que a liberdade de expressão não justifica desrespeito a terceiros.

Rito processual e entraves no plenário

Com a aprovação do relatório preliminar, o processo contra Erika Hilton entra em fase de instrução, na qual o relator definirá as diligências, ouvida de testemunhas e concessão de prazo para defesa formal. O Conselho de Ética dispõe de até 90 dias para concluir os trabalhos e emitir um parecer final, que pode propor desde advertência até a perda do mandato.

Contudo, eventuais sanções graves dependem de deliberação do plenário da Câmara, cuja pauta é definida exclusivamente pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O histórico recente do colegiado mostra que pareceres aprovados contra outros parlamentares estagnaram sem chegar à votação final, travando em recursos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).