Paraná tem primeiro debate na Band marcado por confronto direto de narrativas políticas

Paraná tem primeiro debate na Band marcado por confronto direto de narrativas políticas

11 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Sandro Alex e Requião Filho expõem projetos opostos para o estado em dia marcado por ausência de Moro

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução YouTube / Band TV

O estado do Paraná acompanhou com atenção o primeiro debate televisivo entre os candidatos ao governo do estado, transmitido pela TV Band. O confronto colocou em lados opostos o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o ex-secretário de Estado Sandro Alex (PSD), evidenciando projetos políticos e modelos de gestão profundamente divergentes. O evento também foi marcado por controvérsias anteriores ao início da transmissão, especialmente devido ao convite restrito a poucos postulantes e à ausência calculada do senador Sérgio Moro (PL), que preferiu publicar um vídeo nas redes sociais justificando sua não participação por considerar a dinâmica um “jogo combinado”.

Mesmo sem pisar no estúdio, a figura de Moro continuou repercutindo ao longo do programa, demonstrando uma estratégia de comunicação integrada que buscou gerar engajamento digital sem expor o candidato a embates diretos. No palco, a disputa do Paraná concentrou-se na polarização de discursos: de um lado, Sandro Alex ancorou sua fala na continuidade da atual gestão, utilizando frases de impacto e resgatando o discurso antipetista; do outro, Requião Filho focou sua argumentação na defesa do funcionalismo público, na presença atuante do Estado e nas memórias das gestões de seu pai, o ex-governador Roberto Requião.

Segurança pública e propostas em debate

Durante os blocos dedicados às políticas sociais e de combate à criminalidade no Paraná, os discursos mantiveram o tom de contraste. Sandro Alex adotou uma linha fortemente pautada pela ordem, repetindo slogans como “a polícia que governa, não a bandidagem”, além de defender a unificação do número de emergência 190. Essa proposta de canal único, embora apresentada como inovação para a segurança estadual, retoma um debate legislativo antigo que tramita no Congresso Nacional desde 2011 sem conclusão definitiva.

NoMagazineTem bdrm

Por sua vez, Requião Filho abordou a segurança no Paraná sob a ótica da valorização dos profissionais da ponta. O candidato do PDT criticou as condições de trabalho e os baixos salários dos policiais praças, argumentando que a eficiência do setor depende diretamente do investimento humano. O postulante também trouxe para o centro do debate temas sociais sensíveis que não haviam sido abordados pela chapa adversária, como a recusa do governo estadual em assinar o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, cobrando respostas sobre as escolhas ideológicas da atual administração.

Privatização da Copel e o papel do Estado na economia

Um dos momentos mais acalorados da transmissão envolveu o futuro econômico do Paraná e o modelo de prestação de serviços essenciais. A desestatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), autorizada pela Lei Estadual nº 21.272/2022, virou alvo de duras críticas por parte de Requião Filho. O parlamentar associou a venda do controle acionário ao aumento das tarifas de energia elétrica e ao descaso na prestação de serviços aos consumidores, prometendo zerar o ICMS para micro e pequenas empresas como medida de socorro econômico.

Sandro Alex rebateu as acusações afirmando que os maiores acionistas da companhia continuam sendo o povo do Paraná. A declaração abriu espaço para um debate conceitual sobre propriedade pública e participação acionária, visto que o Estado retém apenas 15,9% das ações ordinárias e uma golden share com poder de veto limitado. A divergência deixou clara a divisão entre a agenda liberal de continuidade das desestatizações e o modelo focado no controle estatal de ativos estratégicos.

Infraestrutura regional e a corrida eleitoral no estado

As obras de infraestrutura no Paraná, em especial na região litorânea, também dividiram os concorrentes. A construção da Ponte de Guaratuba foi reconhecida como necessária por Requião Filho, mas o candidato levantou questionamentos sobre o processo licitatório e a utilização da obra com fins eleitorais. Ele defendeu investimentos permanentes em saneamento básico no litoral durante todo o ano, relembrando ainda ações passadas como a expansão do campus da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na região em 2006.

Por fim, a formação das chapas majoritárias no Paraná mostrou como as articulações de bastidores desenharam o cenário atual. Sandro Alex consolidou a aliança entre o PSD do governador Ratinho Junior e o MDB do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que abriu mão de sua pré-candidatura própria para compor o grupo. O primeiro debate, portanto, não apenas expôs propostas administrativas, mas revelou as histórias e narrativas que cada grupo político pretende contar ao eleitorado paranaense nas urnas.