
Casas Bahia projeta cenário de crédito mais difícil para 2027 e fecha 298 lojas no país
17 de agosto de 2026Presidente-executivo Renato Franklin detalha pedido de recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões e reestruturação da rede
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Sarah Brito/g1
A Casas Bahia iniciou uma nova fase de reestruturação profunda ao prever que as condições de crédito e consumo no Brasil em 2027 serão ainda mais desafiadoras do que no ano atual. Em conferência com analistas de mercado, o presidente-executivo da companhia, Renato Franklin, explicou que a decisão de encerrar as atividades de 298 lojas — o equivalente a cerca de 30% da rede — foi tomada para adequar o tamanho da operação às projeções de deterioração da renda e do endividamento das famílias.
O movimento da Casas Bahia ocorreu em uma “onda única” para eliminar unidades que operavam no prejuízo e evitar revisões constantes no quadro de funcionários. Além do fechamento de pontos físicos, a empresa passou a adotar critérios bem mais rígidos para a concessão de crédito próprio e financiamentos aos consumidores, priorizando a rentabilidade das operações em vez do volume bruto de vendas.
Pedido de recuperação judicial e reorganização de dívidas
O anúncio da readequação operacional da Casas Bahia foi acompanhado pelo pedido formal de recuperação judicial protocolado no Foro Central Cível de São Paulo. A medida abrange a holding e outras nove empresas do grupo, buscando renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos financeiros. O objetivo principal do processo é garantir a sustentabilidade do negócio e preservar os mais de 20 mil empregos diretos mantidos pela gigante do varejo.

Apesar da entrada do processo na Justiça, a Casas Bahia informou que continuará operando normalmente em suas lojas físicas remanescentes, aplicativo e plataforma de comércio eletrônico. A diretoria da companhia reiterou que a medida em caráter de urgência busca estabilizar o fluxo de caixa sem interromper as entregas e a prestação de serviços aos clientes em todo o país.
Adaptações no e-commerce e parcerias estratégicas
No ambiente virtual, a Casas Bahia reorientou a sua atuação para focar exclusivamente em margens de lucro operacionais mais elevadas. A empresa optou por reduzir o volume de mercadorias vendidas com margens baixas ou sem rentabilidade direta em seus canais de marketplace, ajustando parcerias estratégicas com outros grandes players do setor para diminuir os custos operacionais no segmento de eletroeletrônicos.
A recuperação judicial representa o desfecho do Plano de Transformação iniciado pela Casas Bahia em meados de 2023. Após passar por renegociações extrajudiciais e cortes operacionais prévios, a companhia avaliou que o cenário de juros elevados e compressão do crédito exigia um mecanismo jurídico definitivo para reestruturar as dívidas e readequar a marca à realidade do mercado consumidor nos próximos anos.




