Prisioneiro mais antigo dos EUA morre aos 101 anos após receber a última refeição oito vezes

Prisioneiro mais antigo dos EUA morre aos 101 anos após receber a última refeição oito vezes

19 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Francis Clifford Smith passou mais de sete décadas na prisão e teve pena de morte comutada na década de 50

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Andrius Banevicius

A história de Francis Clifford Smith impressiona pelo ineditismo e pelas contradições do sistema judiciário norte-americano. O homem, considerado o prisioneiro com a pena mais longa cumprida nos Estados Unidos, faleceu aos 101 anos de causas naturais. O detalhe que mais chama a atenção em sua trajetória é o fato de ele ter recebido o aviso e o direito de pedir a sua última refeição em oito ocasiões diferentes, vendo sua execução ser adiada de última hora em cada uma delas devido a recursos e dúvidas sobre o processo.

Condenado pelo assassinato de um vigia noturno em Connecticut no ano de 1950, quando tinha 25 anos, Smith sempre defendeu sua inocência. Ao longo das décadas, o caso foi recheado de controvérsias: testemunhas se retrataram de depoimentos prestados e outro detento chegou a confessar o crime. As incertezas levantadas por investigadores fizeram com que a sentença de morte fosse comutada para prisão perpétua em 1954, evitando a aplicação da pena capital.

A rotina no presídio e o carinho pelos animais

Durante as mais de sete décadas em que esteve atrás das grades, Smith construiu uma rotina pacífica dentro do sistema prisional de Connecticut. Na prisão de Osborn, ele ficou conhecido entre guardas e outros detentos pelo apelido carinhoso de “Homem-Pássaro”. A alcunha surgiu porque o idoso costumava esconder pedaços de pão dentro de suas roupas durante o café da manhã para alimentar os pássaros nos pátios.

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Mesmo com breves episódios de fuga e idas à liberdade condicional na década de 1970, Smith acabou retornando ao sistema. Com o avançar da idade e o surgimento de problemas de saúde associados ao envelhecimento acelerado no ambiente carcerário, ele foi transferido em 2020 para uma casa de repouso especializada em prestar cuidados médicos e de enfermagem a idosos sob custódia do Estado.

Debate sobre o envelhecimento da população carcerária

A trajetória de Francis Clifford Smith reacendeu o debate entre especialistas em segurança pública e pesquisadores sobre a situação de idosos em prisões. Estudos apontam que o número de detentos com mais de 55 anos cresceu significativamente nas últimas décadas, projetando que uma parcela expressiva da população carcerária norte-americana necessitará de cuidados médicos intensivos e adaptações nas instalações.

Pesquisadores defendem a implementação de programas de desencarceramento inteligente e de liberdade condicional por razões humanitárias para detentos idosos e debilitados. O encerramento da vida de Smith em uma instituição de saúde, longe do ambiente rígido das celas tradicionais, serve como modelo e reflexão para a gestão de casos semelhantes no cenário internacional.