Lula afirma a Donald Trump que o Brasil possui mecanismos próprios para combater o crime

Lula afirma a Donald Trump que o Brasil possui mecanismos próprios para combater o crime

21 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Durante conversa de mais de uma hora os líderes discutiram a cooperação bilateral e a classificação de facções criminosas

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto:  Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21/8), para alinhar diretrizes de segurança pública e cooperação diplomática. Durante a ligação que durou cerca de 1h20, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o país não necessita de uma classificação internacional para combater as organizações criminosas que atuam no território nacional. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o diálogo reiterou o interesse na ampliação da cooperação bilateral, ressaltando que as facções locais não se confundem juridicamente com grupos terroristas.

A manifestação do presidente Lula ocorreu após a decisão do governo norte-americano de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O enquadramento promovido pelos EUA gera efeitos jurídicos e financeiros dentro da jurisdição norte-americana, como congelamento de bens e sanções. No entanto, a medida não altera automaticamente o enquadramento dessas facções na legislação brasileira e nem autoriza intervenções externas no país, ponto de constante atenção para a diplomacia nacional.

Ações de combate às facções e asfixia financeira

Durante a conversa com o líder republicano, Lula enfatizou que as facções criminosas exercem um terror diário sobre as populações mais vulneráveis, mas sustentou que o enfrentamento a esses grupos deve ser conduzido pelos instrumentos legais do próprio Estado brasileiro. O presidente destacou a estratégia de asfixia financeira do crime organizado promovida por órgãos federais, revelando que os planos operacionais do governo já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões em ativos e recursos vinculados a atividades ilícitas.

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Além do bloqueio de capitais, Lula apresentou iniciativas em andamento no país, como a meta de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima e a aplicação das diretrizes da Lei Antifacção, que ampara o confisco de bens e retenção de passaportes de investigados. Outro ponto mencionado foi a proposta de emenda à Constituição que visa ampliar o papel da União na coordenação da segurança pública em parceria com os estados federais.

Acordos de cooperação e próximos passos bilaterais

Para demonstrar a atuação integrada no continente, Lula citou o funcionamento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus, que reúne forças de segurança de diferentes países da região. Diante dos argumentos expostos, o presidente norte-americano respondeu de forma positiva ao avanço da integração de inteligência e colocou o governo dos EUA à disposição para reforçar as ações conjuntas entre as duas nações.

Como desdobramento imediato do telefonema com Lula, a Casa Branca deve mobilizar representantes de alto escalão para dar sequência aos debates técnicos sobre segurança e combate ao crime organizado. As tratativas bilaterais devem focar na troca de informações estratégicas e no rastreamento de transações financeiras suspeitas, mantendo o respeito às respectivas soberanias e legislações vigentes.