Moraes e Vorcaro entram no centro de escândalo financeiro no STF

Moraes e Vorcaro entram no centro de escândalo financeiro no STF

1 de setembro de 2026 Off Por Nick Lyrio

Registros mostram pedidos explícitos do dono do banco para adiar prisões e conter ações da Polícia Federal.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Adriano Machado/Reuters

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Moraes teve o sigilo do inquérito da Polícia Federal retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelando detalhes das negociações entre o magistrado, sua esposa Viviane Barci de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os relatórios analisam minutas de contratos advocatícios milionários que, segundo a pericia técnica nos metadados dos arquivos digitais, contaram com edições realizadas diretamente pelo usuário registrado sob o nome do ministro.

As tratativas resultaram em um contrato de prestação de serviços no valor bruto mensal superior a R$ 3,4 milhões, totalizando quase R$ 130 milhões ao longo do período pactuado. Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que os repasses eram tratados como prioridade absoluta dentro da instituição financeira, com orientações explícitas do banqueiro para que os pagamentos fossem efetuados sem atrasos e, em determinadas ocasiões, sem a emissão de notas fiscais ou via transferências Pix.

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Negociações paralelas envolveram aeronaves de luxo e cifras milionárias

Moraes também aparece citado no contexto de um segundo acordo contratual estimado em R$ 50 milhões, firmado com empresas ligadas a Daniel Vorcaro. As apurações apontam que este contrato envolvia a cessão e transferência de ativos de alto valor, incluindo um avião executivo modelo Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1, cujos valores somados ultrapassam os 6,8 milhões de dólares no mercado de aviação executiva.

A aproximação entre as partes foi intermediada pelo ex-ministro Fábio Faria no final de 2023, que organizou encontros sociais e jantares entre os casais. O escritório Barci de Moraes afirmou em nota que a análise prévia do contrato pelo ministro ocorreu exclusivamente por razões de compliance interno, visando checar eventuais impedimentos legais ou processos em tramitação sob sua relatoria no STF antes da assinatura definitiva da prestação de serviços.

Troca de mensagens confidenciais e alertas sobre operações policiais

Moraes e Vorcaro adotavam métodos específicos para comunicação via WhatsApp, utilizando notas escritas no aplicativo de celular enviadas como imagens de visualização única, além de ativarem a exclusão automática de mensagens após 24 horas. Os relatórios da Polícia Federal mostram que o empresário buscou informações diretamente com o magistrado sobre a gravidade de medidas cautelares, perguntando sobre a execução de mandados de busca e apreensão ou eventuais quebras de sigilo.

Nos dias que antecederam a deflagração da Operação Compliance Zero, as conversas indicam consultas sobre a conveniência de viagens ao exterior e pedidos para que o cumprimento de ordens judiciais fosse adiado. A Polícia Federal também identificou menções a contatos indiretos com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, incluindo o custeio de despesas de viagem a Londres para familiares de autoridades em eventos organizados pelo próprio banqueiro.