
Pessoas com deficiência enfrentam maior desemprego e menores salários no mercado de trabalho
18 de setembro de 2026 Off Por Boca do Rio MagazineDesigualdades no mercado de trabalho afetam renda e ocupação de pessoas com deficiência, aponta IBGE
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Gustavo Fring/Pexels
As barreiras estruturais, o preconceito e a falta de acessibilidade continuam limitando a inserção social no Brasil. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o nível de ocupação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho é de apenas 29,0%, contra 55,8% registrado entre a população sem deficiência — uma discrepância de 26,8 pontos percentuais que expõe o abismo de oportunidades.
Os indicadores socioeconômicos revelam impactos profundos no rendimento, no acesso à educação e na mobilidade urbana dessa parcela da população.
As disparidades de renda e a inclusão profissional
A inserção no mercado profissional varia conforme o tipo de limitação apresentada, sendo que a menor taxa de ocupação é registrada entre pessoas com limitações nas funções mentais (12,9%). Em termos financeiros, o rendimento médio mensal das pessoas com deficiência trabalhadoras atinge R$ 2.053, valor que corresponde a cerca de 71% da média paga aos trabalhadores sem deficiência (R$ 2.890).

Os dados do estudo destacam cenários críticos no ambiente corporativo e doméstico:
- Cargos de liderança: As pessoas com deficiência ocupam somente 2,5% dos cargos gerenciais existentes no país, concentrando-se predominantemente nas faixas salariais mais baixas.
- Trabalho de cuidado: O nível de ocupação de mulheres que residem com crianças com deficiência cai para 43,1%, contra 55,2% entre as que vivem com crianças sem deficiência, demonstrando a sobrecarga de tarefas do lar.
- Deslocamento diário: O tempo médio gasto no trajeto entre a casa e o emprego é quatro minutos superior para trabalhadores com deficiência, afetando sobretudo mulheres pretas ou pardas, das quais 16,5% levam mais de uma hora no deslocamento.
Impactos na educação e desafios na infraestrutura urbana
As limitações de acesso começam na infância e na juventude, prejudicando a alfabetização e a formação profissional. A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência é de 12,2%, número expressivamente superior ao 1,0% registrado entre os jovens sem deficiência na mesma faixa etária.
No ambiente universitário, embora as matrículas na graduação tenham crescido na última década — alcançando 95,6 mil em 2024 —, a proximidade física com a instituição permanece determinante. Entre os estudantes universitários com deficiência profunda, 78,9% dependem de faculdades localizadas no próprio município para conseguir concluir os estudos.
Somado a isso, barreiras físicas na infraestrutura das cidades dificultam a rotina. Cerca de 67,4% das pessoas com deficiência residem em vias urbanas que apresentam obstáculos em calçadas, e apenas 12,9% dos domicílios contam com rampas de acesso para cadeirantes no entorno, reduzindo drasticamente o direito de ir e vir.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a diferença na taxa de emprego entre pessoas com e sem deficiência?
A taxa de ocupação entre pessoas com deficiência é de 29,0%, enquanto a proporção atinge 55,8% entre a população sem deficiência.
Quanto ganha, em média, uma pessoa com deficiência no mercado de trabalho?
O rendimento médio mensal do trabalho para pessoas com deficiência é de R$ 2.053, o que equivale a 71% da renda de trabalhadores sem deficiência.
Quantos cargos de gerência são ocupados por pessoas com deficiência no Brasil?
Apenas 2,5% do total de cargos gerenciais do país são exercidos por profissionais com deficiência.



