
Lula fala sobre quebra de sigilos, segurança pública e transporte gratuito em entrevista ao SBT
20 de outubro de 2026Presidente também abordou dívida pública, escala 6×1, maioridade penal e mudanças no Judiciário durante sabatina na reta final da campanha eleitoral
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Ricardo Stuckert.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou propostas para a segurança pública, o financiamento do transporte coletivo gratuito aos fins de semana, a jornada de trabalho e a reforma do Judiciário durante entrevista ao SBT Brasil. Na sabatina, realizada na segunda-feira (19), o presidente também voltou a desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares.
A entrevista ocorreu na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, conforme o material enviado. Entre os principais temas discutidos estavam as perspectivas eleitorais de Lula, as medidas econômicas anunciadas pelo governo e os planos para ampliar a atuação federal no combate à criminalidade.
O presidente negou que iniciativas econômicas recentes tenham sido motivadas pela disputa eleitoral e defendeu a capacidade do governo de financiar as propostas apresentadas. Também afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, independentemente do resultado eleitoral.
Lula comenta resultado do primeiro turno
Ao avaliar o desempenho eleitoral, Lula reconheceu que esperava uma votação mais favorável no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força política de Flávio Bolsonaro ou da direita brasileira.
O presidente afirmou que a mobilização de apoiadores ganhou força após a votação e disse acreditar na capacidade de ampliar sua base eleitoral. Entre as prioridades mencionadas estavam recuperar votos na região Sul, mobilizar governadores do Nordeste, buscar uma vitória em Minas Gerais e reduzir a diferença em São Paulo.
“Eu fui no meu comitê, tinha muita delegação de estrangeira, todo mundo de cabeça baixa, eu fui obrigado a fazer um discurso para levantar a moral da minha tropa”, relatou Lula ao recordar a disputa presidencial de 2002, quando enfrentou José Serra no segundo turno.
O presidente também afirmou que estava mais tranquilo diante do novo cenário eleitoral e demonstrou confiança na possibilidade de reverter diferenças regionais de votação.

Presidente nega finalidade eleitoral de medidas econômicas
Questionado sobre iniciativas anunciadas ou aprovadas nas semanas anteriores à eleição, Lula rejeitou a interpretação de que as medidas tivessem sido adotadas com finalidade eleitoral.
Entre os assuntos discutidos estavam o reajuste do Bolsa Família, o programa Desenrola MEI e a proposta de gratuidade no transporte público aos fins de semana.
Sobre o Bolsa Família, Lula afirmou que a equipe econômica identificou espaço fiscal para compensar a inflação acumulada. Segundo o presidente, os adicionais destinados às famílias com crianças haviam adiado a correção do benefício.
Em relação ao Desenrola MEI, o petista mencionou aproximadamente R$ 15 bilhões em dívidas consideradas irrecuperáveis e disse que a iniciativa poderia beneficiar cerca de 4 milhões de microempreendedores individuais.
“Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar, porque tem eleição”, declarou.
Lula também afirmou que as propostas já estavam em tramitação no Congresso e que havia solicitado a votação antes do primeiro turno. A situação de cada medida, seus critérios de acesso e seus efeitos fiscais precisam ser consultados nos registros oficiais correspondentes.
Dívida pública e responsabilidade fiscal
A condução das contas públicas também esteve entre os temas da sabatina. Lula rejeitou a avaliação de que o crescimento da dívida e os gastos com políticas econômicas poderiam provocar uma crise fiscal em 2027.
O presidente afirmou que as iniciativas estavam dentro das possibilidades orçamentárias e citou uma previsão de superávit primário de 0,1%. Também comparou o cenário com o déficit de 2,8% que, segundo ele, encontrou ao assumir o governo.
Para defender sua posição, Lula recordou os resultados fiscais de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010.
“Eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho, porque eu sei, como pai de família, como trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem”, afirmou.
O presidente ainda criticou a autonomia do Banco Central, defendendo maior participação do governo nas discussões sobre política monetária. Lula também questionou a atenção dada ao resultado fiscal sem, em sua avaliação, uma discussão proporcional sobre os pagamentos de juros da dívida pública.
As projeções mencionadas na entrevista devem ser confrontadas com os dados oficiais de orçamento, dívida e resultado primário para que o leitor possa distinguir as declarações políticas dos indicadores econômicos.
Lula defende mudanças na jornada de trabalho
Durante a entrevista, Lula voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade e tem um dia de descanso semanal.
O presidente argumentou que mudanças nas condições de trabalho enfrentaram resistência empresarial em diferentes momentos da história brasileira. Como exemplos, citou a criação do salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o 13º salário.
“Toda vez que você teve uma conquista pro povo trabalhador, o mundo ia acabar”, declarou.
Lula também criticou argumentos contrários à redução da jornada e defendeu que os trabalhadores tenham mais tempo para o convívio familiar e o lazer.
A situação legislativa da proposta e os termos exatos de eventual aprovação precisam ser confirmados nos registros do Congresso Nacional antes da publicação.
Transporte público gratuito aos fins de semana
Outra proposta discutida foi a gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana. Lula afirmou que pretende utilizar recursos de emendas parlamentares para financiar a iniciativa, mas reconheceu que a medida poderá enfrentar resistência no Congresso.
“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso é parte da democracia”, disse.
O presidente argumentou que a gratuidade permitiria aos trabalhadores aproveitar os dias de descanso para visitar parentes e participar de atividades de lazer, mesmo quando não dispõem de recursos para pagar as passagens.
Segundo estimativa atribuída pelo material ao deputado Jilmar Tatto (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, o programa custaria R$ 16 bilhões por ano. O valor equivaleria a aproximadamente 26% dos R$ 61 bilhões previstos para emendas parlamentares no Orçamento de 2026.
A estimativa deve ser atribuída à fonte citada e verificada quanto à metodologia, ao alcance territorial da proposta e aos custos efetivamente considerados. A declaração presidencial, por si só, não significa que a gratuidade já esteja em vigor.
Segurança pública e redução da maioridade penal
Na área de segurança pública, Lula voltou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. O presidente argumentou que adolescentes dessa idade já possuem determinadas responsabilidades políticas e afirmou que sua posição não foi motivada pelo resultado eleitoral.
A proposta envolve uma mudança constitucional e exige discussão jurídica e legislativa. A redução da maioridade penal não deve ser apresentada como medida aprovada ou em vigor sem confirmação oficial.
Sobre as saídas temporárias de presos, Lula defendeu a manutenção do benefício para condenados por crimes sem violência que apresentem bom comportamento, com restrições para casos graves.
O presidente argumentou que a convivência familiar pode contribuir para a ressocialização e defendeu avaliações individualizadas pelas autoridades responsáveis. Também afirmou que condenados por crimes como estupro e violência contra a mulher não deveriam receber autorização para deixar as unidades prisionais.
As regras atuais sobre saídas temporárias devem ser verificadas na legislação vigente, uma vez que o benefício passou por alterações legais nos últimos anos.
PEC da Segurança e criação de ministério
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta que, segundo ele, permitiria ampliar a participação da União no combate à criminalidade e melhorar a integração entre as forças policiais federais, estaduais e municipais.
O presidente argumentou que a falta de coordenação entre as corporações prejudica as operações conjuntas.
“Porque você tem polícia que não se conecta, que não conversa”, afirmou.
Lula declarou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta, independentemente do resultado eleitoral. Segundo ele, a decisão de não instalar a pasta no início do mandato esteve relacionada à necessidade de definir previamente suas atribuições.
O presidente também anunciou a intenção de ampliar os efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal para reforçar o patrulhamento das fronteiras. Defendeu que a atividade seja realizada por forças policiais especializadas, mantendo as Forças Armadas concentradas na defesa nacional.
Outra medida mencionada foi a transformação de 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima, com o objetivo de dificultar que lideranças de organizações criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), continuem coordenando atividades ilícitas de dentro das unidades prisionais.
As iniciativas dependem de detalhes sobre financiamento, competências institucionais e execução, que precisam ser esclarecidos em documentos oficiais.
Reforma do Judiciário e mandatos para ministros do STF
O presidente também defendeu uma reforma do Judiciário que altere os critérios de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre as ideias apresentadas está a possibilidade de estabelecer mandatos para os integrantes da Corte e ampliar a participação da sociedade no processo de indicação.
“Eu acho que, para ser ministro da Suprema Corte, a gente vai ter que discutir outro critério para escolher, não pode ser só o presidente da República, eu quero ver se a sociedade participa disso, eu quero que tenha mandato”, declarou.
Questionado sobre a indicação de Jorge Messias ao STF, Lula negou ter sofrido desgaste político com a resistência ao nome do advogado-geral da União. O presidente defendeu a qualificação jurídica de Messias, mas não confirmou se insistiria na indicação, afirmando que decidiria o assunto após as eleições.
Lula também declarou que pretende considerar a competência profissional e o conhecimento jurídico em futuras indicações. Segundo ele, nunca pediu favores aos ministros que nomeou para a Suprema Corte.
Quebra de sigilos: Lula desafia Flávio Bolsonaro
No trecho final da entrevista, Lula voltou a desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares. A proposta, segundo o material fornecido, havia sido apresentada durante o debate eleitoral da Band, no domingo (18).
O presidente afirmou que pretende encaminhar procurações ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para autorizar o acesso às informações, e cobrou que o adversário adotasse procedimento semelhante.
“Eu quero que você faça o mesmo, da sua família, você e seus irmãos, e vamos entregar. Vamos deixar investigar para saber aonde é que está a corrupção nesse país”, declarou.
Lula também acusou Flávio de ter mentido 43 vezes sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou encontros entre o senador e o banqueiro.
A acusação deve ser tratada como declaração do presidente, e não como fato comprovado. Para publicar o trecho com segurança, é necessário conferir o conteúdo integral do debate, as respostas de Flávio Bolsonaro e a existência de documentos que sustentem ou contestem as alegações.
A entrevista ao SBT reuniu propostas e posicionamentos sobre economia, trabalho, segurança pública e instituições. O alcance prático das medidas anunciadas dependerá da situação legislativa de cada iniciativa, das regras aplicáveis e, quando necessário, da disponibilidade de recursos públicos.



