A ordem secreta de Lula para Gabriel Galípolo sobre o Banco Master

A ordem secreta de Lula para Gabriel Galípolo sobre o Banco Master

14 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Presidente quebra o silêncio e revela o que disse ao comando do BC antes da explosiva CPI do Crime Organizado

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução

Lula orientou Gabriel Galípolo a mostrar "quem é quem" na CPI do Master sem fazer acusações diretas. Confira detalhes.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em depoimento como convidado à CPI do Crime Organizado – Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva detalhou nesta terça (14) as recomendações feitas a Gabriel Galípolo antes de seu depoimento na CPI do Crime Organizado. Segundo o mandatário, a orientação foi para que o dirigente evitasse acusações policiais e focasse em apresentar a cronologia dos fatos. A intenção seria expor a origem das fraudes envolvendo o Banco Master.

Durante entrevista a canais digitais, o chefe do Executivo ressaltou que o papel da autoridade monetária é prestar contas à sociedade com base em dados técnicos. Lula enfatizou que não cabe ao comando da instituição agir como procurador ou policial, mas sim identificar os papéis de cada envolvido. O depoimento de Gabriel Galípolo havia sido alvo de críticas internas na base aliada.

Parte do setor político esperava uma postura mais incisiva contra a gestão anterior por parte de Gabriel Galípolo. No entanto, o atual comandante do órgão afirmou não haver indícios que culpassem diretamente seu antecessor Roberto Campos Neto, nos processos de auditoria realizados até o momento. Lula defendeu essa conduta técnica, reiterando que o governo busca apenas o restabelecimento da verdade dos fatos.

O presidente apresentou uma árvore cronológica para sustentar que as decisões cruciais sobre a instituição financeira ocorreram em 2019. De acordo com o relato, o processo de legalização do banco avançou após trocas no comando da autoridade monetária no governo passado. Para o petista, esses marcos temporais são suficientes para se compreender onde a crise começou.

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Houve ainda um alerta sobre a tentativa de transformar comissões parlamentares em peças de campanha eleitoral antecipada. O governo defende que as investigações da Polícia Federal devem ser o norte para identificar quando organizações criminosas iniciaram suas atividades. A transparência na gestão pública foi citada como a principal ferramenta para combater desvios no sistema.

A estratégia comunicativa visa blindar Gabriel Galípolo de desgastes políticos desnecessários enquanto ele conduz a política monetária nacional. Ao mesmo tempo, o Planalto utiliza o caso para reforçar o contraste entre as gestões e a vigilância sobre o sistema bancário. A expectativa é que novos desdobramentos da auditoria tragam mais clareza sobre o fluxo de capitais investigado.

Além dos temas econômicos, o encontro serviu para discutir novos projetos na área de proteção pública e a criação de pastas específicas. A ideia de uma Guarda Nacional foi mencionada como alternativa para evitar o uso recorrente de operações especiais de garantia da ordem. Tais mudanças dependem agora de articulação política no Congresso Nacional para avançarem nos próximos meses.

A participação do dirigente do BC continua sendo monitorada de perto por analistas de mercado e parlamentares. O equilíbrio entre a independência funcional e o alinhamento estratégico com as metas do governo é o grande desafio do atual mandato. Por ora, o apoio público do presidente reforça a confiança na condução técnica dos trabalhos frente às denúncias de corrupção.