ANPD determina suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil

ANPD determina suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil

12 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Agência Nacional de Proteção de Dados aponta falhas na proteção de crianças e adolescentes no aplicativo

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Ivan Radic/Flickr

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) expediu nesta quarta-feira (12) uma determinação cautelar que exige que o Discord suspenda a funcionalidade de transmissões ao vivo em todo o território brasileiro. A empresa recebeu o prazo de três dias úteis para cumprir a notificação e interromper o recurso conhecido como “Go Live” e outras ferramentas equivalentes de compartilhamento de vídeo. A medida visa proteger crianças e adolescentes contra graves violações de direitos no ambiente virtual.

A ação faz parte do processo de fiscalização instaurado formalmente pela área técnica da ANPD na última sexta-feira (07), motivado pelo aumento expressivo de denúncias sobre a ocorrência de ilícitos na plataforma. Dados da ONG SaferNet Brasil apontam um crescimento de 54% nas notificações envolvendo o Discord nos primeiros sete meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. O órgão regulador enfatizou que a plataforma em si não está sendo bloqueada no país, mantendo o funcionamento de canais de texto e voz.

Falhas estruturais de segurança e o Estatuto Digital

A fiscalização realizada pela Superintendência de Fiscalização (SFI-ANPD) concluiu que o Discord vem sendo utilizado de maneira recorrente para a prática de crimes como assédio, indução à automutilação, incitação à violência e ao suicídio. Segundo a análise técnica, a arquitetura do aplicativo impede o acesso ao conteúdo das transmissões em vídeo enquanto elas ocorrem em servidores fechados, o que inviabiliza a detecção de violações em tempo real e deixa a moderação dependente de denúncias posteriores de usuários.

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Além da ausência de moderação ativa nas transmissões do Discord, o órgão regulador identificou que alterações técnicas feitas pela empresa no recurso “Go Live” em março tornaram o sistema ainda menos protetivo no momento em que o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente entrava em vigor. A fiscalização apontou a ausência de mecanismos eficazes de verificação de idade e falhas graves no cumprimento dos deveres de remoção de conteúdos nocivos e comunicação imediata às autoridades competentes.

Regras de reativação, prazos e sanções financeiras

A suspensão do recurso de transmissão ao vivo no Discord permanecerá em vigor até que a empresa comprove perante a ANPD a implementação de medidas técnicas, de governança e de segurança capazes de conter com eficácia os riscos aos menores de 18 anos. Para que o recurso volte a funcionar no Brasil, será necessária a obtenção de uma autorização expressa e prévia da Agência. A plataforma também deve implementar mecanismos tecnológicos contra tentativas de burla da suspensão.

Os representantes legais do Discord foram formalmente notificados e possuem três dias úteis para comprovar o bloqueio total das lives no país, além de um prazo de dez dias úteis para apresentar recurso administrativo junto à Superintendência. Caso persistam as irregularidades e o descumprimento das regras do ECA Digital, a plataforma poderá sofrer sanções administrativas mais severas, incluindo a aplicação de multas que podem atingir até R$ 50 milhões por infração cometida.