Argentina tenta barrar pagamento de US$ 390 milhões por expropriação de aérea nos EUA

Argentina tenta barrar pagamento de US$ 390 milhões por expropriação de aérea nos EUA

21 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Governo de Javier Milei prepara recurso para suspender execução de sentença milionária ligada à Aerolíneas Argentinas

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Wikimedia Commons

A Argentina iniciou uma nova etapa em sua estratégia jurídica nos Estados Unidos para tentar suspender a execução de uma cobrança superior a US$ 390 milhões. A Procuradoria-Geral da Fazenda do país sul-americano prepara uma petição formal ao Tribunal de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia, situado em Washington, D.C. O movimento busca paralisar temporariamente as ordens de pagamento decorrentes da expropriação da companhia aérea Aerolíneas Argentinas e da sua subsidiária Austral, ocorridas originalmente em 2008.

A equipe jurídica comandada pelo procurador do Tesouro, Sebastián Amerio, tenta fazer com que o tribunal norte-americano reavalie pontos processuais vitais, como a definição do prazo prescricional do processo. A meta prioritária da Argentina é ganhar tempo e impedir que credores internacionais obtenham autorização judicial para confiscar ativos soberanos e bens estatais localizados em território norte-americano, enquanto costuram margem para negociação ou para um eventual apelo à Suprema Corte dos Estados Unidos.

Origem da dívida e a disputa com fundos internacionais

O contencioso internacional que afeta a Argentina teve início em 2017, quando o Centro Internacional para a Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID) emitiu uma sentença arbitral desfavorável ao governo. A decisão inicial fixou uma indenização de US$ 321 milhões em benefício do grupo espanhol Marsans, antigo controlador das empresas reestatizadas. Com o passar dos anos, os direitos econômicos dessa ação foram repassados ao fundo Burford Capital e, posteriormente, ao Consórcio Titan.

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A quantia cobrada da Argentina atualmente alcança US$ 390,9 milhões, valor que continua crescendo devido ao acúmulo de juros desde dezembro de 2024. A defesa do estado argentino argumentou nas instâncias inferiores que o direito de execução da dívida já havia caducado, defendendo a aplicação de um prazo prescricional de três anos. No entanto, o Tribunal Distrital dos EUA rejeitou a tese e determinou que o prazo legal aplicável ao caso é de doze anos, entendimento confirmado em segunda instância.

Estratégia do governo e risco para bens soberanos

Diante do revés no Judiciário americano, a Argentina busca reverter a iminência de penhoras de seus bens no exterior. A estratégia de protelar as decisões visa abrir uma janela de oportunidade para o estabelecimento de um cronograma de pagamento sustentável com os credores. Caso o pedido de reconsideração seja negado pela corte de apelações, a última barreira jurídica do país será apresentar um recurso direto à Suprema Corte dos Estados Unidos.

O desfecho dessa disputa é monitorado de perto pelo mercado financeiro e pelo setor de aviação internacional. Uma derrota definitiva para a Argentina pode abrir precedentes para a retenção de créditos e contas do governo em bancos internacionais, além de pressionar ainda mais as reservas cambiais da administração pública em meio aos esforços de reorganização econômica.