
Argentinos consomem carne de burro para enfrentar crise econômica
18 de abril de 2026Com cortes bovinos atingindo valores de luxo, famílias mudam hábitos alimentares para manter proteína no prato
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Telefe

A severa crise econômica na Argentina forçou uma mudança drástica na dieta da população, que agora recorre à carne de burro para garantir proteína nas refeições. Dados revelam que o consumo de carne bovina despencou cerca de 20% devido aos preços elevados, reflexo da inflação persistente que atinge o maior nível em um ano.
A carne bovina tornou-se um item de luxo, com cortes populares ultrapassando a marca de 25 mil pesos argentinos. Diante deste quadro, o projeto “Burros Patagones” surgiu como uma solução viável e econômica para as famílias. O produto “carne de burro” é comercializado por aproximadamente 7,5 mil pesos o quilo, valor significativamente menor que o praticado pelos frigoríficos tradicionais.
O governo de Chubut autorizou formalmente a atividade, que segue rigorosas normas sanitárias para garantir a segurança alimentar. Segundo o produtor Julio Cittadini, a aceitação do mercado foi imediata e surpreendente. O estoque de carne de burro que deveria suprir a demanda de uma semana inteira acabou sendo totalmente vendido em menos de 48 horas de operação.

A inflação acumulada de 12 meses atingiu 32,6%, impactando diretamente o poder de compra dos cidadãos. O Índice de Preços ao Consumidor subiu para 3,4% em março, superando as projeções anteriores. Esse aumento acelerado nos alimentos básicos empurrou os consumidores para opções como frango e ovos, que também sofreram reajustes recentes no varejo.
Desde dezembro, o pacote de reformas implementado pela presidência retirou subsídios vitais em energia e transporte. Essas medidas elevaram o custo de vida geral, tornando promessas de campanha sobre redução de custos difíceis de cumprir. A suspensão de obras federais e repasses às províncias agravou a situação financeira das famílias em todo o país.
Açougues locais estão se adaptando rapidamente para oferecer alternativas que caibam no bolso do trabalhador. A comercialização da carne de burro é vista como uma estratégia de sobrevivência para o setor agropecuário. O sucesso do empreendimento na Patagônia indica que novos polos de produção podem surgir para atender a demanda interna crescente.
A mudança nos hábitos alimentares reflete a urgência social em um cenário de recessão profunda. Enquanto cortes tradicionais de gado permanecem nas prateleiras por causa do preço elevado, as opções de baixo custo como a carne de burro desaparecem rapidamente. O mercado argentino segue instável, buscando no campo formas criativas de driblar a carestia que assola a nação.


