Brasileira casada com militar americano é retirada de voo de deportação e liberada nos EUA

Brasileira casada com militar americano é retirada de voo de deportação e liberada nos EUA

14 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Maisa Lopes Eliaser ficou mais de um mês detida e retornou para casa após ligação no meio do trajeto

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto:  Joseph Vidrine/AP

Uma brasileira de 32 anos, casada com um sargento do Exército dos Estados Unidos, viveu um desfecho dramático em seu processo de deportação. Maisa Lopes Eliaser estava a caminho do Brasil a bordo de um voo promovido pelas autoridades americanas na última quarta-feira (12), quando agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) receberam uma ligação telefônica determinando a interrupção da medida. Após o desembarque dos demais detidos no Brasil, a brasileira permaneceu na aeronave e foi reconduzida ao estado da Louisiana, onde foi oficialmente solta para retornar ao convívio familiar.

A jovem enfrentava o risco de deportação desde o dia 8 de julho, data em que foi detida durante um comparecimento de rotina perante os órgãos de imigração. O caso ganhou forte apelo público e mobilizou parlamentares após a divulgação de que o fim de certas proteções especiais para familiares de militares passou a expor cônjuges de membros das Forças Armadas a processos sumários de expulsão do país.

Mudanças regulatórias e o apoio parlamentar nos EUA

A ameaça de deportação enfrentada por Maisa ocorreu no contexto do endurecimento das diretrizes do Departamento de Segurança Interna, sob a gestão de Donald Trump. O governo alegava a existência de uma ordem prévia emitida por um juiz de imigração, motivada pela permanência da brasileira no território americano após o vencimento de um visto de turista emitido em 2019. Por causa da prisão da esposa, o marido dela, Alexis Jaramillo, militar há mais de uma década, precisou se afastar de treinamentos de aviação para cuidar do filho de 5 anos do casal.

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A repercussão da reportagem da Associated Press sobre as ordens de deportação emitidas contra parentes de militares motivou a abertura de uma investigação formal liderada por congressistas democratas. Entre os apoiadores do caso esteve o senador Mark Kelly, ex-oficial da Marinha, cuja intervenção ajudou a paralisar o envio da brasileira e garantiu um reagendamento para que a família tente obter o green card em nova audiência.

Impactos emocionais e os próximos passos judiciais

Apesar da libertação e do cancelamento temporário da ordem de deportação, a família relata sequelas emocionais provocadas pelo período de mais de um mês em custódia federal. Em depoimentos, a brasileira descreveu o ambiente do centro de detenção como desumano e confessou que ainda enfrenta crises de ansiedade e insônia diante da apreensão com o comparecimento à Justiça de imigração marcado para a próxima segunda-feira (17).

A equipe legal do casal e o próprio militar afirmam ter recebido garantias de que não haverá nova prisão sumária durante o andamento dos trâmites administrativos. O caso da brasileira transformou-se em um dos principais símbolos do debate em torno dos limites operacionais e sociais da política de deportação em massa adotada pelas agências federais norte-americanas.