
Caminhoneiro de SC completa 26 dias retido por nevasca histórica na fronteira da Argentina
11 de agosto de 2026Motorista de Sombrio relata banhos gelados e refeições improvisadas enquanto aguarda liberação de aduana em Mendoza
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Arquivo pessoal
O caminhoneiro Jairo Luan Gomes, natural do município de Sombrio, no Sul de Santa Catarina, completou nesta segunda-feira (10) exatos 26 dias retido em meio a uma nevasca histórica na fronteira da Argentina com o Chile. Parado na aduana localizada na província de Mendoza, aos pés da Cordilheira dos Andes, o profissional enfrenta condições severas de sobrevivência enquanto aguarda autorização e condições climáticas favoráveis para seguir viagem.
A rotina descrita pelo caminhoneiro expõe a ausência quase total de infraestrutura na aduana internacional. Sem acesso a banheiros adequados, chuveiros com água quente ou suporte médico de plantão, os motoristas utilizam um cano de água gelada para a higiene pessoal sob temperaturas que chegaram a -2ºC no período da tarde. As refeições principais são preparadas de forma improvisada na própria caixa de cozinha do caminhão, complementadas pela distribuição diária de sopa e água potável realizada por uma associação local de caminhoneiros.
Pista congelada e cenário imprevisível na Cordilheira
O isolamento enfrentado pelo caminhoneiro catarinense decorre do acúmulo extremo de neve e do congelamento do asfalto ao longo da rodovia transandina, o que inviabiliza o tráfego seguro de veículos de carga pesada. Embora automóveis de passeio e veículos de turismo tenham conseguido liberação pontual durante o fim de semana, os caminhões permanecem retidos no pátio da aduana sem uma data oficial para a liberação da pista.

A incerteza sobre o desbloqueio aumenta a ansiedade dos profissionais que estão no local. Segundo relatos do próprio caminhoneiro, a expectativa informal é de que a travessia para o território chileno possa ser autorizada apenas até o próximo domingo, mas o clima instável na região montanhosa torna qualquer previsão passível de alterações repentinas.
Impacto operacional nas transportadoras de Santa Catarina
A situação vivida por este caminhoneiro reflete um problema em grande escala que afeta diretamente o setor de logística do Sul do Brasil. Mais de 1,5 mil caminhões já chegaram a ficar retidos simultaneamente no trecho, incluindo frota expressiva de empresas sediadas em cidades como Concórdia e Chapecó, no Oeste catarinense. Apenas uma transportadora da região registrou mais de 50 veículos paralisados na mesma aduana.
Diante do bloqueio prolongado provocado pelo fenômeno climático, sindicatos do transporte rodoviário de cargas alertam para o acúmulo de prejuízos operacionais. Além da preocupação central com a integridade física e o bem-estar dos motoristas, as empresas enfrentam custos extras com diárias, atrasos severos no cumprimento de contratos internacionais e riscos de perda de mercadorias.




