Carnaval passa, fatura fica: especialista explica como curtir a folia sem entrar no vermelho
13 de fevereiro de 2026Consultor financeiro dá dicas simples que podem evitar que a fatura vire dor de cabeça em março
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Nick Lyrio (Boca do Rio Magazine)

O Brasil inicia 2026 com um alerta importante para o consumo. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil apontam que mais de 73 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o maior patamar da série histórica. Em pleno mês de fevereiro, período do Carnaval, especialistas alertam que o cenário pode se agravar após a folia, diante do aumento de gastos típicos da festa.
Com a chegada do Carnaval em Salvador, milhares de pessoas se preparam para aproveitar a festa na pipoca, nos camarotes e também nos tradicionais carnavais de bairro. Para evitar que a diversão se transforme em aperto financeiro nos meses seguintes, o consultor financeiro Deivisson Sousa, CEO da Ora Finanças, reuniu orientações práticas para manter o controle do orçamento.
Segundo ele, a principal diferença entre quem curte na pipoca e quem frequenta camarotes está no tipo de gasto, mas o risco de desorganização financeira é o mesmo.
“No Carnaval, as decisões são quase sempre emocionais. A pessoa não percebe quanto está gastando e só entende o impacto quando chega a fatura. Com pequenas estratégias, é possível se divertir sem comprometer o orçamento do mês seguinte”, explica.
Para quem vai de pipoca
Nos circuitos tradicionais de Salvador, como Barra–Ondina, Campo Grande e Centro Histórico, onde os principais gastos são com alimentação, bebidas e transporte, o consultor recomenda:
- Definir um limite diário de gastos antes de sair de casa;
- Dar preferência ao pagamento no cartão de crédito, para manter maior controle do consumo;
- Se alimentar antes de sair, evitando compras por impulso durante o percurso;
- Levar água de casa, reduzindo gastos repetidos ao longo do dia.
Segundo ele, quando não há um teto definido por dia, pequenos valores acabam se acumulando e gerando impacto maior do que o esperado.
Para quem vai aos camarotes
Para o público que opta por camarotes, onde os ingressos e serviços costumam ter valores mais elevados, o planejamento deve começar antes da festa.
Entre as orientações estão:
- Para quem consome bebida alcoólica, optar por camarote open bar, que tende a ser mais econômico do que espaços all inclusive, já que as bebidas representam parte significativa do custo;
- Evitar parcelamentos longos que comprometam o orçamento dos meses seguintes;
- Avaliar se a compra do ingresso é compatível com a renda mensal;
- Reservar um valor específico para gastos extras, como transporte e alimentação fora do espaço contratado;
- Compartilhar corridas por aplicativo para reduzir custos com deslocamento e estacionamento.
“O camarote não pode ser financiado às custas de um desequilíbrio que vai durar o resto do ano”, pontua o especialista.
Para quem aproveita o Carnaval nos bairros
Já para quem prefere os carnavais de bairro, a recomendação é semelhante à da pipoca, com atenção especial ao deslocamento e ao consumo local:
- Planejar o trajeto para evitar gastos desnecessários com transporte;
- Levar a própria bebida, quando possível;
- Priorizar pagamentos no cartão para manter controle sobre o total gasto.
Atenção ao “efeito pós-Carnaval”
O especialista reforça que, por ser uma festa anual, o Carnaval deve ser planejado com antecedência. A recomendação é separar pequenos valores ao longo do ano e direcioná-los para uma reserva específica para o período da folia, incluindo transporte, alimentação, abadás, camarotes e possíveis emergências.
“O maior erro do folião é ignorar o impacto da festa no orçamento de março. A festa acaba, mas a fatura chega. O ideal é curtir com consciência agora para não comprometer contas fixas, investimentos e objetivos financeiros depois”, afirma.
Com organização e planejamento financeiro, é possível aproveitar o Carnaval sem transformar a celebração em um problema que se estenda pelos meses seguintes.



