
Caso real de “A Órfã”: mulher adulta se passa por menina de 12 anos e acaba presa em Joinville
4 de junho de 2026Entenda a história assustadora da farsante que foi adotada por uma família tradicional em Joinville
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução
Um enredo digno de roteiros cinematográficos de suspense chocou as autoridades e os moradores do Norte de Santa Catarina. Uma mulher de 37 anos de idade foi formalmente presa pela Polícia Civil após ser descoberto que ela vivia sob um disfarce completo, fingindo ser uma adolescente de apenas 12 anos. Utilizando o nome falso de Gabriele, a suspeita conseguiu ser acolhida de forma voluntária no município de Joinville, onde permaneceu residindo com uma família local por cerca de 14 meses antes que toda a farsa estruturada fosse desmascarada pelos investigadores.
A apuração policial apontou que a mulher elaborou uma trágica história pregressa, alegando ter sido vítima de severos maus-tratos familiares e afirmando que havia fugido do estado do Pará para salvar a própria vida. O relato comovente acabou sensibilizando frequentadores e líderes de uma comunidade religiosa de Joinville. Através do vínculo construído dentro da igreja, a mulher conquistou a confiança de um casal de boa situação financeira, que decidiu abrir as portas do próprio lar e passar a tratá-la legitimamente como uma filha adotiva.
Como a golpista conseguiu sustentar o personagem infantil por tanto tempo?
De acordo com as declarações do delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bueno Gusso, a relação estabelecida na residência foi pautada por um forte e estratégico sequestro emocional. Embora a suspeita não recebesse quantias de dinheiro diretamente em mãos, ela usufruía de um padrão de vida excelente fornecido pelas vítimas. Conhecida no ambiente doméstico pelo apelido de Gabi, ela ganhou um dormitório exclusivo decorado com elementos infantis, brinquedos diversos e chegou a receber uma festa comemorativa de aniversário de 12 anos organizada pelos pais afetivos.

Para afastar qualquer tipo de questionamento sobre seus traços físicos e a fisionomia incompatível com a infância, a estelionatária utilizava justificativas médicas complexas. Ela dizia aos cuidadores que era portadora de autismo e que sua aparência mais madura decorria do uso forçado de cargas hormonais durante o período em que supostamente sofria abusos no passado. Para blindar a farsa, a mulher adotava hábitos puramente infantis no cotidiano de Joinville, como o uso frequente de chupetas, mamadeiras e objetos de apego para dormir, além de afinar o tom de voz e simular crises de pânico noturnas para exigir a presença e atenção constante do casal.
De que forma a farsa foi descoberta pela Polícia Civil?
A engrenagem do golpe começou a ruir quando uma parente próxima da família acolhedora começou a notar inconsistências no comportamento e nos relatos da suposta menina. Movida pela desconfiança, a testemunha realizou buscas aprofundadas na internet e localizou indícios fotográficos e textuais de que a mesma mulher já havia aplicado golpes de idêntica natureza em outras unidades da federação. A denúncia foi imediatamente encaminhada para a delegacia de Joinville, que deu início ao monitoramento da infratora.
Durante as diligências, os investigadores descobriram também que os pais tentaram por diversas vezes matricular a suposta filha em instituições de ensino regulares da rede de Joinville. A mulher, contudo, recusava categoricamente a ida à escola, alegando crises de fobia e inventando o pretexto de que seu pai biológico poderia localizá-la e retirá-la da nova família. Com a constatação oficial da verdadeira identidade e a confirmação de que a suspeita é reincidente crônica em se passar por menor de idade para obter vantagens materiais e afetivas, a Polícia Civil efetuou a prisão e segue mapeando outras possíveis vítimas da golpista pelo país.



