Cientistas usam tubarões com sensores para melhorar a previsão de furacões

Cientistas usam tubarões com sensores para melhorar a previsão de furacões

13 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Pesquisa da Universidade de Delaware monitora temperatura e salinidade do oceano em tempo real

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Andrea Leontiou/Divulgação via REUTERS

Famosos na cultura pop como símbolos de perigo nas praias durante o verão, os tubarões estão assumindo um papel completamente diferente no campo científico. Pesquisadores da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, estão utilizando os animais como observadores móveis de dados oceanográficos em tempo real. A iniciativa busca transformar a coleta de informações no mar para alimentar modelos atmosféricos, climáticos e oceanográficos, auxiliando na previsão exata da força de furacões antes que eles avancem sobre a costa.

Para realizar o monitoramento, os cientistas equipam os tubarões com pequenas etiquetas eletrônicas de alta precisão. À medida que nadam e mergulham, esses dispositivos medem a condutividade elétrica da água — parâmetro diretamente relacionado à salinidade —, além da temperatura e da profundidade. Essa abordagem inovadora permite mapear o comportamento do oceano em áreas onde boias tradicionais ou instrumentos flutuantes nem sempre conseguem alcançar com eficiência.

Vantagens dos tubarões frente a outras espécies protegidas

O uso de sensores presos à fauna marinha não é uma novidade absoluta na oceanografia, já sendo empregado há anos em elefantes-marinhos nas regiões polares. Contudo, a escolha pelos tubarões na costa leste norte-americana traz vantagens operacionais estratégicas. Segundo o pesquisador principal do projeto, Aaron Carlisle, esses peixes são abundantes, possuem ampla distribuição geográfica e apresentam acesso bem mais simples para a equipe do que mamíferos marinhos que contam com proteções ambientais mais rígidas.

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A seleção das espécies de tubarões integradas ao estudo leva em consideração hábitos específicos de comportamento. Os cientistas dão preferência aos animais que vêm à superfície com frequência regular, garantindo que as antenas dos transmissores consigam enviar os dados armazenados diretamente para os satélites de monitoramento sem grandes atrasos na transmissão.

O calor das águas e o impacto na força dos furacões

O grande foco da pesquisa realizada com os tubarões está no mapeamento do conteúdo de calor contido na camada mista do oceano, que corresponde à porção superior da coluna d’água. Essa região aquecida é o verdadeiro combustível dos furacões: quanto maior a temperatura retida nessa faixa, maior será a intensidade da tempestade ao se deslocar sobre o mar.

Com o rastreamento feito pelos tubarões, os meteorologistas passam a contar com um volume de dados muito mais preciso sobre a energia disponível no oceano. A expectativa da Universidade de Delaware é de que esses relatórios em tempo real fortaleçam os sistemas de alerta antecipado, permitindo que cidades litorâneas se preparem melhor para a chegada de fenômenos climáticos severos.