
Crise no PL: Izalci Lucas desafia Michelle Bolsonaro e causa racha no partido
17 de abril de 2026Senador anuncia pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal e rompe acordo de apoio à reeleição de Celina Leão
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Izalci Lucas provocou um racha profundo dentro do Partido Liberal (PL) nesta sexta (17) ao anunciar sua pré-candidatura ao governo do Distrito Federal. A decisão do parlamentar contraria diretamente o acordo firmado por Michelle Bolsonaro e pela deputada Bia Kicis em apoiar a reeleição de Celina Leão (PP). O movimento ocorre após o senador se sentir escanteado pela legenda na disputa pelas vagas ao Senado.
A cúpula do PL já havia definido que os nomes para o Senado em Brasília seriam os de Michelle e Bia Kicis, deixando o parlamentar sem espaço para a reeleição. Como resposta, Izalci Lucas, líder da oposição, decidiu buscar o cargo de governador, passando a atacar a atual gestão de Celina Leão. Ele utilizou as redes sociais para associar a governadora a esquemas de corrupção.
Michelle Bolsonaro reagiu prontamente através de uma nota oficial, demonstrando estranheza com a postura de Izalci Lucas. Ela afirmou que não houve qualquer deliberação legítima no partido que sustentasse tal candidatura. A ex-primeira-dama reforçou que o compromisso de Valdemar Costa Neto é apoiar o projeto de reeleição da atual governadora.

O clima interno pesou quando o congressista acusou o partido de Celina de transformar o Distrito Federal em um balcão de negócios. Ele citou indicações políticas em bancos públicos como prova de má gestão. Para as lideranças femininas do PL, a atitude demonstra falta de palavra e compromisso com o diálogo, princípios que consideram fundamentais na política.
A estratégia de Izalci Lucas visa manter seu prestígio político e garantir um palanque relevante para o pleito deste ano. No entanto, o isolamento dentro da própria legenda pode dificultar a viabilidade de seus planos. Bia Kicis, presidente do diretório brasiliense, confirmou que não houve alinhamento ou reunião para aprovar o nome do senador para o governo.
O racha expõe a fragilidade das alianças da direita na capital federal e gera incertezas sobre a união da base oposicionista no Congresso. Enquanto Michelle prega a fidelidade aos acordos firmados com o PP, o senador Izalci Lucas busca abrir uma terceira via dentro da própria casa.
Especialistas avaliam que essa fragmentação pode beneficiar adversários de outros campos políticos. A falta de consenso no PL nacional reflete a dificuldade de acomodar todas as ambições das lideranças em cargos majoritários. O futuro da pré-candidatura dependerá agora de intervenções da executiva nacional para pacificar o diretório e definir os rumos eleitorais.



