Desembargador do TJMT entrega passaporte à PF em operação sobre desvio de R$ 308 milhões

Desembargador do TJMT entrega passaporte à PF em operação sobre desvio de R$ 308 milhões

6 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Ricardo Almeida é alvo de medida cautelar da Operação Heritage, que investiga acordo bilionário envolvendo a Oi S.A.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

O desembargador Ricardo Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), teve o seu passaporte apreendido pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (6). A medida cautelar foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Heritage, que investiga um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões por meio de um acordo firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A.

A retenção do passaporte do magistrado e a proibição de deixar o país foram confirmadas pelo próprio TJMT em nota oficial enviada à imprensa. A Corte destacou que não foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede do Poder Judiciário e reforçou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

“No âmbito da operação, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, citado na investigação, teve o passaporte retido. O Poder Judiciário segue à disposição das autoridades competentes para colaborar com a operação”, informou o TJMT.

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Entenda a origem da investigação e o acordo milionário

A apuração indica que, antes de assumir a vaga no TJMT em novembro de 2025 pelo Quinto Constitucional da OAB-MT, Ricardo Almeida atuava como advogado e adquiriu, em 2022, direitos creditórios da Oi contra o estado por R$ 80 milhões. Ele intermediou o acordo de R$ 308,1 milhões assinado em abril de 2024 entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a operadora.

A apuração aponta indícios de que os recursos públicos pagos pelo Tesouro estadual não foram destinados à operadora de telefonia, mas direcionados a dois fundos de investimento criados em período próximo à assinatura do contrato. Segundo a PF, a estrutura serviu para ocultar a origem e o destino final dos valores.

  • Valor do acordo investigado: R$ 308,1 milhões desembolsados pelo Tesouro de Mato Grosso;
  • Destino dos recursos: Fundos de investimento suspeitos de interposição fraudulenta;
  • Infracões apuradas: Organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada;
  • Mandados expedidos: 25 ordens de busca e apreensão no MT, SP, RO e CE.

Bloqueio de bens e cautelares determinadas pelo STF

Além do recolhimento do passaporte do desembargador e de outros investigados, as ordens expedidas pelo STF determinaram o bloqueio de bens no valor de até R$ 316 milhões, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal e a proibição de contato entre os citados no inquérito.

Entre os alvos que tiveram mandados de busca cumpridos na mesma operação estão o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda. As investigações prosseguem sob sigilo.

  • Medidas patrimoniais: Bloqueio de bens até o limite de R$ 316 milhões;
  • Medidas de restrição: Retenção de passaporte, proibição de viagem internacional e vetos a contatos;
  • Outros citados: Ex-governador Mauro Mendes, deputado Fábio Garcia e conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda.