
Dólar cai abaixo de R$ 5 com tensões entre Estados Unidos e Irã
13 de abril de 2026Moeda americana inverte sinal e opera em baixa enquanto investidores monitoram bloqueio no Estreito de Ormuz
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Dado Ruvic/ Reuters

O mercado financeiro global opera sob forte volatilidade nesta segunda (13) após o anúncio de um bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Em solo brasileiro, o dólar cai para a casa dos R$ 4,99, revertendo a alta registrada no início do pregão. O movimento ocorre enquanto investidores processam as ameaças diretas de Donald Trump contra o Irã.
A cotação da moeda americana atingiu R$ 4,9931 por volta das 15h, registrando um recuo de 0,36%. Simultaneamente, o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, passou a subir 0,24%, alcançando os 197.806 pontos. O cenário de incerteza global impulsionou os preços do petróleo, com o barril do tipo Brent sendo negociado acima dos US$ 100.
O presidente americano afirmou que interceptará qualquer embarcação iraniana que tente circular pela região, comparando a ação a operações de combate ao tráfico de drogas. O bloqueio já afeta o comércio marítimo, com petroleiros evitando a rota estratégica. Países da União Europeia, China e Rússia criticaram a obstrução, temendo uma nova escalada militar.
No cenário doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe um alerta sobre a inflação. A projeção do IPCA para 2026 subiu para 4,71%, superando o teto da meta oficial. O aumento das tensões no Oriente Médio é o principal fator de preocupação para o custo de vida no Brasil, já que quando o dólar cai, impacta diretamente o preço dos combustíveis e fretes.

Apesar da piora nas expectativas inflacionárias, o mercado mantém a previsão para a taxa Selic em 12,50% ao ano. Investidores também acompanham atentamente as declarações de Gabriel Galípolo em encontros do FMI e do Banco Mundial. A postura da autoridade monetária será fundamental para conter a volatilidade cambial caso o conflito externo se intensifique.
No final de semana, negociações entre as potências no Paquistão terminaram sem um acordo definitivo sobre o programa nuclear de Teerã. O vice-presidente americano, JD Vance, confirmou o encerramento das tratativas após 21 horas de diálogo. A falta de um consenso diplomático reforçou o tom beligerante de Washington e a cautela nas bolsas globais.
Na Ásia e na Europa, os mercados fecharam majoritariamente em queda, refletindo o pessimismo com a segurança energética global. No entanto, o real brasileiro demonstrou resiliência nesta tarde, aproveitando o fluxo de capital estrangeiro para ativos de commodities. O equilíbrio entre o risco geopolítico e o diferencial de juros dita o ritmo dos negócios.
Especialistas recomendam cautela, pois a situação no Estreito de Ormuz pode sofrer novas alterações a qualquer momento. Qualquer retaliação física por parte do Irã poderá estancar a trajetória de queda da moeda estrangeira. Acompanhar os próximos desdobramentos na Casa Branca será essencial para entender se o câmbio permanecerá abaixo do suporte de R$ 5.



