
Dólar despenca e atinge mínima histórica de dois anos
10 de abril de 2026Moeda flerta com o patamar de R$ 5 e traz mudanças drásticas para o cenário econômico nacional
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: REUTERS/Luisa González

O mercado financeiro brasileiro apresenta um forte movimento de valorização nesta sexta (10), refletindo o otimismo com as negociações internacionais e indicadores econômicos. O Dólar operava em queda acentuada de 0,83% por volta das 14h45, sendo cotado a R$ 5,0210. Na mínima do dia, a moeda americana chegou a tocar os R$ 5,0068, o menor patamar registrado nos últimos dois anos.
A trajetória de queda do câmbio ocorre em paralelo ao desempenho positivo da bolsa de valores. O Ibovespa avançava 0,65% no mesmo horário, alcançando os 196.402 pontos, após registrar uma máxima de 197.554 pontos. Esse cenário é influenciado pela expectativa de paz no Oriente Médio, com Estados Unidos e Irã preparando o início de negociações previstas para este sábado.
No plano internacional, o cessar-fogo anunciado nesta semana prevê uma pausa de duas semanas nos ataques entre as potências. O compromisso envolve a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital por onde circula 20% do petróleo mundial. Entretanto, o acordo ainda demonstra fragilidades e violações pontuais, mantendo o preço da commodity em alta no mercado global.
O barril do petróleo Brent subia 1,18%, negociado a US$ 97,05, impulsionando ações de empresas do setor de energia no Brasil. Investidores monitoram de perto se a trégua será respeitada de fato para estabilizar a oferta de insumos. Essa tensão geopolítica gera um ambiente de cautela, mas permite que ativos de países emergentes, como o real, ganhem espaço.

Internamente, o destaque desta sexta (10) foi a divulgação do IPCA pelo IBGE, que apresentou alta de 0,88% em março. O índice acumulado em 12 meses chegou a 4,14%, ficando ligeiramente acima da expectativa do mercado, que projetava 4%. Esse dado de inflação é fundamental para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa de juros e o controle monetário.
Nos Estados Unidos, os dados de preços ao consumidor subiram 0,9% em março, acumulando 3,3% no ano. Os números vieram em linha com o esperado por economistas, trazendo certa previsibilidade para os investidores estrangeiros. O equilíbrio entre o desaquecimento da inflação americana e a alta das commodities no Brasil favorece o fluxo de capital para o país.
A combinação de um cenário externo mais estável com a resiliência da economia brasileira sustenta o ânimo dos investidores locais. O movimento de hoje consolida uma tendência de recuperação após períodos de incerteza cambial. Especialistas apontam que, se as negociações de paz avançarem, o patamar de R$ 5 pode ser rompido definitivamente nos próximos pregões.
Por fim, o encerramento da semana deve confirmar o Ibovespa em níveis recordes, consolidando o bom humor da B3. O monitoramento contínuo da inflação e dos conflitos externos permanecerá no radar dos analistas para a abertura da próxima semana. A economia brasileira demonstra, assim, fôlego para absorver os impactos das oscilações globais de forma estratégica.



