Dona do Fortnite acusa Apple de pressionar governo Trump contra o Brasil

Dona do Fortnite acusa Apple de pressionar governo Trump contra o Brasil

30 de julho de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

CEO da Epic Games afirma que gigante de tecnologia tenta preservar taxas consideradas ilegais no país

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Mike Segar / Reuters

A rivalidade entre a Epic Games e a Apple ganhou um capítulo com repercussão geopolítica no Brasil nesta quinta-feira (30). Junto ao lançamento da loja virtual do Fortnite para iPhones no país, o CEO da Epic Games, Tim Sweeney, acusou a fabricante do iPhone de usar lobistas em Washington para pressionar o governo de Donald Trump a aplicar medidas comerciais desfavoráveis contra o território brasileiro.

A suposta articulação seria uma reação às determinações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que obrigaram a abertura do sistema iOS para lojas de aplicativos de terceiros no mercado nacional.

“A Apple está tentando destruir as boas relações entre nossos países para preservar sua capacidade de continuar violando a lei e cobrando taxas ilegais”, declarou Tim Sweeney durante entrevista coletiva a jornalistas brasileiros.

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Lançamento da loja no iOS e barreiras no Brasil

A chegada da Epic Games Store ao iOS no Brasil foi viabilizada por uma medida do Cade aprovada em dezembro do ano passado. O país passa a integrar um grupo restrito de mercados — ao lado da União Europeia e do Japão — onde a Apple foi forçada pelas autoridades regulatórias a permitir concorrência no ecossistema do iPhone.

Apesar da liberação, a Epic Games aponta uma série de obstáculos impostos pela Apple aos desenvolvedores e consumidores locais:

  • Processo de instalação burocrático: A instalação de lojas alternativas exige nove etapas no Brasil, contra seis na Europa;
  • Cobrança de taxas adicionais: Taxas de até 21% sobre transações feitas fora da App Store e 5% sobre o faturamento de lojas concorrentes;
  • Exigência de monitoramento: Requisito de inclusão de softwares de relatórios de vendas, classificados pela Epic como “programas espiões”;
  • Catálogo reduzido: Inicialmente, a loja estreia no país apenas com os jogos Fortnite e Rocket League Sideswipe.

A resposta da Apple às acusações

Em posicionamento enviado à imprensa, a Apple negou veementemente as acusações de Sweeney, classificando as alegações de lobby contra o Brasil como falsas. A fabricante afirmou que atua em conformidade com as determinações do Cade e que firmou acordos para oferecer comissões reduzidas e permitir métodos alternativos de pagamento aos desenvolvedores no país.

A empresa também rejeitou o termo “programa espião”, argumentando que exige apenas relatórios precisos de vendas para calcular o uso correto de suas tecnologias proprietárias e garantir a segurança, privacidade e confiabilidade dos usuários. A Epic Games informou que pretende acionar o órgão regulador brasileiro novamente para contestar as regras de cobrança mantidas pela Apple.