Discussão relatada pelo Washington Post revela insatisfação com estoques críticos e condução do conflito no Irã
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Sipa USA via Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou uma ríspida discussão com o secretário de Guerra, Pete Hegseth, motivada pela escassez de mísseis no arsenal norte-americano e pelo rumo do conflito com o Irã. A informação foi divulgada pelo jornal The Washington Post, que ouviu fontes com conhecimento direto das reuniões na Casa Branca.
De acordo com a publicação, Trump chamou a atenção de Hegseth durante uma reunião de gabinete ao constatar que os estoques de armamentos permanecem em níveis críticos. O presidente teria afirmado que se sentiu enganado pelo secretário, alegando que acreditava que o desabastecimento “já tinha sido resolvido”.
“A escassez de mísseis guiados de longo alcance e de interceptadores de defesa aérea foi um dos fatores determinantes para o recuo nos bombardeios de grande escala”, apontam os relatos publicados pelo veículo norte-americano.
Desistência de ataques e baixa em armamentos estratégicos
O atrito veio à tona dias após Trump declarar que havia autorizado e, em seguida, cancelado um grande ataque contra o Irã. Embora o presidente tenha atribuído o recuo à abertura para negociações — possibilidade desmentida por Teerã —, análises internas apontam a crise de suprimentos militares como pano de fundo da decisão.
Apurações da agência Reuters confirmaram que o Exército dos EUA utilizou “praticamente todo” o seu estoque de munições de precisão de longo alcance na campanha contra o Irã. Os principais armamentos afetados são os mísseis superficiais ATACMS e os modernos PrSM (Mísseis de Ataque de Precisão).
Sistemas afetados: Mísseis ATACMS e a nova geração PrSM;
Custo estimado: Mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) por unidade;
Impacto geopolítico: Riscos à prontidão militar diante de potenciais conflitos futuros com a China;
Repasse a aliados: Uso prévio intensivo dos mísseis ATACMS na guerra da Ucrânia.
Casa Branca e Pentágono negam divergências
Diante da repercussão do caso, o governo norte-americano se manifestou para desmentir as informações sobre o desentendimento. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que a reportagem é “100% notícia falsa” e assegurou que Donald Trump mantém total confiança no comando do Ministério da Guerra.
O Pentágono também rechaçou os relatos de que Hegseth teria enganado o presidente ou transferido a responsabilidade pela falta de relatórios ao seu vice-secretário, Stephen Feinberg. Apesar do desmentido oficial, especialistas militares destacam a preocupação com o tempo de fabricação e reposição dessas armas de alta tecnologia.
Posição da Casa Branca: Negação veemente e reafirmação de apoio ao secretário;
Posição do Pentágono: Rejeição às alegações de repasse de culpas internas;
Desafio produtivo: Lentidão na reconstrução do arsenal de mísseis guias de longo alcance.