El Niño forçará alta nos preços dos alimentos em agosto

El Niño forçará alta nos preços dos alimentos em agosto

18 de julho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Fenômeno climático no Oceano Pacífico intensifica estiagem no semiárido e pressiona o bolso do consumidor

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto:

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O fenômeno climático global El Niño, que atua diretamente no Oceano Pacífico, promete trazer reflexos amargos para o bolso dos consumidores na Bahia a partir de agosto. Com a previsão de favorecer temperaturas acima da média histórica, principalmente na segunda metade do inverno, a partir do dia 5 de agosto, o evento meteorológico deve provocar forte estiagem no semiárido baiano e elevar o risco de incêndios na vegetação.

Segundo dados do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), as transformações vão muito além dos termômetros. A estação gerará respostas climáticas distintas entre o litoral e o interior, afetando biomas como Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. No entanto, o impacto mais severo para a população geral será sentido nas gôndolas dos supermercados e nas feiras livres de todo o estado.

O impacto do El Niño nos alimentos

A forte influência do clima sobre o solo e o regime de chuvas tende a reduzir drasticamente a produtividade de culturas sensíveis ao estresse hídrico. Em entrevista, o economista Denilson Lima, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), explicou que a quebra na produção diminui a quantidade de produtos disponíveis no mercado, forçando a alta dos preços.

Os primeiros itens a registrar aumentos serão os de ciclo curto, como hortaliças, frutas e alimentos folhosos, que possuem menor capacidade de absorver perdas de produção. Na sequência, o bolso do consumidor sentirá o reflexo no leite, nas carnes e nos grãos.

“O El Niño pode elevar os preços dos alimentos ao alterar o regime de chuvas e aumentar as temperaturas. Além disso, aumentam os custos com irrigação, manejo, transporte e reposição de perdas, que tendem a ser repassados ao consumidor final.”

Preocupação com o agronegócio e a pecuária

Existe um forte estado de alerta entre produtores rurais e empresários do agronegócio com os desdobramentos na safra 2026/2027. O foco das atenções está voltado para o Oeste baiano, principal polo produtor de grãos do estado. A irregularidade e o atraso das precipitações na região podem comprometer o calendário de plantio de culturas pilares como a soja e o milho.

Na pecuária, o cenário também é desafiador. A falta de chuvas consistentes reduz a qualidade e a extensão das pastagens naturais, além de diminuir a disponibilidade de água para a hidratação adequada dos rebanhos, encarecendo os custos com suplementação alimentar e manejo logístico.

Estratégias para mitigar os efeitos no bolso

Para tentar conter o avanço desenfreado dos preços e proteger o abastecimento de alimentos, especialistas apontam caminhos técnicos e políticos fundamentais para o setor produtivo:

  • Monitoramento climático constante e adoção de sistemas de alerta antecipado;
  • Manejo altamente eficiente dos sistemas de irrigação e armazenamento de água;
  • Utilização de cultivares agrícolas geneticamente mais tolerantes à seca;
  • Contratação massiva de seguro rural para proteção financeira dos produtores;
  • Ampliação das políticas de assistência técnica no campo e facilitação de linhas de crédito.

Clima extremo tem histórico de inflação na Bahia

A vulnerabilidade dos preços diante de fatores meteorológicos não é uma novidade recente. A economista Ana Georgina, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), relembra que secas prolongadas e temporais avassaladores têm desestabilizado o mercado nos últimos anos. Alimentos de consumo diário, como o café e o azeite de oliva, sofreram altas bruscas recentes devido a crises climáticas em regiões produtoras globais, comprovando que as repercussões de eventos extremos são duradouras e difíceis de reverter de forma isolada.