
El Niño inibe formação de furacões no Atlântico Norte e gera marca histórica em 2026
25 de setembro de 2026Como o El Niño paralisa a temporada de furacões no Atlântico e ativa o Pacífico
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação
A temporada de furacões de 2026 no Atlântico Norte registra a menor atividade dos últimos 60 anos, impulsionada por um forte evento do fenômeno meteorológico. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial provocou o fenômeno El Niño, que aumenta o cisalhamento vertical do vento no Atlântico Norte, destruindo a estrutura das tempestades tropicais e impedindo a formação de furacões até o final de setembro.
O cenário resultou no maior atraso para o surgimento do primeiro furacão na bacia atlantística desde 1966, de acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).
A mecânica atmosférica: por que o El Niño bloqueia os furacões no Atlântico?
O El Niño altera a circulação de ventos em escala global por meio de uma dinâmica de teleconexões entre os oceanos. Enquanto o calor acumulado no Pacífico gera instabilidade no lado oeste da América, no Atlântico Norte o efeito atmosférico atua como um inibidor de tempestades.

O bloqueio às tempestades tropicais ocorre devido a três fatores principais:
- Aumento do cisalhamento vertical: O fenômeno gera ventos fortes em diferentes altitudes e direções. Essa variação “corta” o topo das formações de nuvens antes que elas ganhem força estrutural.
- Injeção de ar seco: Massas de ar mais seco são empurradas para a região de desenvolvimento das tempestades, reduzindo a umidade necessária para a formação dos ciclones.
- Movimentos descendentes (subsidência): O ar quente que sobe no Pacífico Equatorial desce sobre o Atlântico Norte, estabilizando a atmosfera e inibindo a subida de umidade necessária para criar um furacão.
Cenário oposto: Pacífico Leste bate recordes de atividade
Enquanto o Atlântico Norte registrou apenas tempestades tropicais moderadas (como Fay e Gonzalo na última sexta-feira (25)), a dinâmica no Oceano Pacífico Leste apresentou comportamento inverso.
A redução do cisalhamento do vento na costa oeste das Américas favoreceu a formação contínua de tempestades e furacões intensos:
- Atividade acima da média: Até a sexta-feira (25), o Pacífico Leste já contabilizava 16 tempestades nomeadas e 6 furacões formados.
- Furacões simultâneos: Registrou-se a presença de três furacões ativos ao mesmo tempo na bacia em episódios recentes, incluindo o furacão Polo, focado na região da Baixa Califórnia, além de Odalys e Nolo.
- Energia acumulada: O potencial energético da temporada no Pacífico Leste encontra-se 62% acima da média climatológica acumulada entre 1991 e 2020.
O monitoramento oficial da temporada do Atlântico prossegue até 30 de novembro, contudo, o bloqueio promovido pelo fenômeno climático já garante a 2026 um lugar único na história da meteorologia moderna.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como o El Niño impede a formação de furacões no Atlântico Norte?
O fenômeno aumenta o cisalhamento vertical do vento no Atlântico e favorece a entrada de ar seco, condições que desestruturam as tempestades tropicais antes que atinjam ventos de 119 km/h.
Qual o recorde histórico atingido pela temporada de furacões do Atlântico em 2026?
O período até a segunda metade de setembro de 2026 tornou-se a temporada mais longa sem a formação de nenhum furacão no Atlântico Norte desde o início do monitoramento por satélite em 1966.
Qual a velocidade necessária do vento para uma tempestade virar furacão?
Uma tempestade tropical é classificada como furacão quando seus ventos sustentados atingem ou ultrapassam a velocidade de 119 km/h.



