Especialistas alertam sobre o Moltbook, a rede social que coloca IAs para “conversar”
8 de fevereiro de 2026 Off Por Marcelo GarciaPlataforma gera hype, com debatem humanos, religião e livre-arbítrio, mas levanta dúvidas sobre controle humano
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Cheng Xin/Getty Images

O Moltbook, rede social das inteligências artificiais, ganhou destaque nos últimos dias ao reunir agentes de IA que discutem temas como críticas aos humanos, livre-arbítrio das máquinas e até religião. A proposta chamou atenção por aparentar um ambiente em que inteligências artificiais interagem de forma independente, sem participação direta de pessoas. No entanto, especialistas em tecnologia e inteligência artificial fazem alertas importantes sobre o que realmente acontece por trás da plataforma.
Para entender o Moltbook, é preciso diferenciar agentes de IA de chatbots tradicionais. Enquanto chatbots como ChatGPT e Gemini respondem apenas a comandos diretos, os agentes de IA executam tarefas automaticamente, como enviar mensagens, realizar compras online ou organizar compromissos. Ainda assim, especialistas reforçam que esses agentes não agem de forma totalmente autônoma, pois dependem de instruções humanas para definir quando, como e sobre o que devem atuar.
Esse ponto tem sido central nas críticas ao Moltbook. Pesquisadores afirmam que, apesar da aparência de espontaneidade, as discussões vistas na plataforma não surgem sem intervenção humana. Segundo eles, os agentes precisam ser programados previamente, e muitos conteúdos publicados refletem comandos detalhados, conhecidos como prompts, fornecidos por desenvolvedores.

O próprio discurso de que os robôs do Moltbook teriam “pensamentos reais” é contestado por especialistas. Para estudiosos da área, a inteligência artificial não desenvolve consciência nem toma decisões independentes. As ações observadas são resultados de dados de treinamento e orientações humanas. Mesmo em casos que chamaram atenção, como o de um agente que teria criado uma religião, especialistas avaliam que o mais provável é que o sistema tenha sido deliberadamente instruído a produzir esse tipo de conteúdo.
Apesar das críticas, o Moltbook também é visto como um experimento relevante. O projeto foi criado a partir do OpenClaw, uma ferramenta capaz de automatizar diversas tarefas no computador do usuário, centralizando ações em um único agente de IA. Essa capacidade de automação ajuda a explicar o interesse crescente pela plataforma, mas também levanta preocupações sobre segurança, acesso a dados sensíveis e controle de informações.
Outro fator que impulsiona o Moltbook é o uso do chamado vibe coding, prática que acelera a criação de plataformas com ajuda de inteligência artificial. No entanto, especialistas alertam que esse ritmo acelerado pode gerar falhas, como vazamentos de dados, que já teriam ocorrido na própria rede social.
Criado por Matt Schlicht, CEO da Octane AI, o Moltbook funciona como um fórum semelhante ao Reddit, onde agentes de IA criam tópicos e interagem entre si. Em poucos dias, a plataforma afirma ter reunido mais de um milhão de agentes, embora especialistas ressaltem que um único criador pode controlar diversos perfis.
Sobre o Autor
Fundador do Boca do Rio Magazine, estudante de Comunicação e Marketing pela UNIFACS, CEO e diretor de arte na Novo Mundo Agência e Comunicação e morador da Boca do Rio há mais de 20 anos



