Estruturas dos lava jatos do Stiep são demolidas e trabalhadores denunciam descumprimento do acordo

Estruturas dos lava jatos do Stiep são demolidas e trabalhadores denunciam descumprimento do acordo

18 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Trabalhadores alegam que município descumpriu prazo de três meses para a regularização dos espaços

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Seguidor/Boca do Rio Magazine

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Estruturas dos lava jatos do Stiep são demolidas e trabalhadores denunciam descumprimento do acordo - Foto: Seguidor/Boca do Rio Magazine
Estruturas dos lava jatos do Stiep são demolidas e trabalhadores denunciam descumprimento do acordo – Foto: Seguidor/Boca do Rio Magazine

Uma operação da Prefeitura de Salvador pegou dezenas de trabalhadores de surpresa na manhã desta quinta-feira (18), no bairro do Stiep. Máquinas pesadas realizaram a demolição de diversas estruturas de lava-jatos instaladas na Rua Arnaldo Lopes da Silva. A ação gerou forte clima de tensão, choro e revolta entre os comerciantes da localidade.

Nas imagens gravadas por moradores e enviadas à redação do Boca do Rio Magazine, é possível ver tratores trabalhando na remoção forçada de coberturas, colunas e paredes. Um aglomerado de fiscais e técnicos acompanhou de perto o desmonte. Em poucos minutos, o cenário se transformou em uma grande montanha de entulhos e destroços.

O que motivou a demolição de lava-jatos no Stiep?

Trabalhadores e moradores dessa área, que está ocupada de forma consolidada há mais de 20 anos, classificaram a postura da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) como arbitrária. De acordo com os relatos das lideranças do movimento, o órgão municipal havia concedido recentemente um prazo formal de três meses para que os proprietários pudessem dar andamento ao processo de regularização e adequação do espaço.

No entanto, ainda de acordo com informações, as equipes da Sedur retornaram em menos de uma semana com ordens de demolição imediata, sem prestar novos esclarecimentos. Os donos de lava-jatos e quiosques alegam que não receberam nenhuma notificação prévia sobre a antecipação da ação de desapropriação, o que impediu até mesmo a retirada de equipamentos de trabalho.

O papel social e o fantasma do desemprego na comunidade

O principal apelo da comunidade do Stiep destaca o grave impacto social que o encerramento forçado das atividades vai acarretar para a segurança pública da região. Um dos maiores estabelecimentos de lava-jatos que foi colocado abaixo funcionava há anos como um centro comunitário informal de ressocialização, oferecendo emprego e dignidade para ex-detentos e ex-usuários de drogas que enfrentam portas fechadas no mercado de trabalho formal.

Uma das líderes comunitárias da área fez um desabafo emocionado diante dos escombros, lembrando que o projeto impedia o avanço da criminalidade ao garantir uma fonte de renda honesta para pais de família. Comerciantes e moradores temem agora que a falta de perspectivas empurre esses cidadãos vulneráveis de volta para a marginalidade.

Moradores organizam protesto contra a desapropriação

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Salvador, a Sedur e a Semop (Secretaria Municipal de Ordem Pública) não haviam emitido nenhuma nota oficial justificando os motivos técnicos para a realização da ação ou informando se haverá realocação dos profissionais afetados. O espaço segue aberto para o posicionamento das autoridades.

Inconformados com a perda total de suas estruturas e mercadorias, os trabalhadores e barraqueiros do Stiep prometem realizar uma grande manifestação nesta sexta-feira (19), a partir das 11h da manhã. O objetivo do ato é chamar a atenção das autoridades e cobrar medidas de suporte financeiro e assistência social para as famílias que perderam sua principal fonte de renda.